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Mostrando postagens com o rótulo filmes

Tapete vermelho

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“Filmes são eles e a sua circunstância. Faz papel de ingênuo quem pensar que neste mundo conta apenas o mérito artístico.” (Ortega y Gasset) Fui uma cinéfila boa parte da vida. Não perdia os lançamentos, frequentava as salas da cidade, principalmente os cineclubes, religiosamente, semanalmente. Tinha um caderninho (talvez ainda esteja perdido nos guardados e eu volte a encontrá-lo) no qual anotava minhas impressões sobre os filmes e fazia minha própria cotação em estrelas. Reescrevia passagens dos diálogos ou de locuções que me encantavam. Acho que o meu lado escritora ainda não havia aflorado. Sem dúvida um grande passatempo. Faz bastante tempo que abandonei esses hábitos bacanas. Filhos, TV a cabo, preços exorbitantes dos ingressos, a queda dos cinemas de rua, das salas de exibição de filmes fora do circuitão… Nunca gostei de shoppings para nada, inclusive para ir ao cinema. Mas às vezes ainda saio da inércia para curtir uma telona, que tem o seu valor inestimável. As condições fís...

Desnorteada

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Reverberam objetos. Tensões criadoras.  Agosto se vai sem parecer o infinito desgosto ressequido. Nada é mais o que poderia ter sido. Fundos de tela são a face do desejo irrealizável.  Todos em transmutação de limites e de fronteiras: até onde ir, em quem não tocar, para quem dar ouvidos, sobre o quê se lixar. Tudo é PabloMilanés&ChicoBuarque + Secos&Molhados. Intersecção entre como se fosse a primavera e primavera entre os dentes: leve e pesado; apaixonado e morto. Conjuntos unitários em fagocitose pululam no ambiente coletivo de realidade irracional. A compreensão de “A Viagem de Chiriro”, enfim.

Entre o sabiá e a pega

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A ossatura da clavícula abre dois pontos para a cavidade do pescoço onde se esconde a tireoide. Entretanto, os dois ossinhos se divisam a olho nu. Demarcam com precisão o melhor local para o camafeu, a medalha da madona ou do santo de devoção. Há quem goste de corações e crucifixos colados à pele.  Gosto de gargantilhas, palavra engraçada - ou seria feia - que vem do castelhano: gargantilla, diminutivo de garganta. O espanhol sempre literal nem sempre é suave. Rompecabezas que o diga! Em inglês tampouco é sutil: choker, explicita a conotação de práticas sexuais arriscadas. Divago enquanto constato que apenas o meu pescoço pode ser diáfano como o da bailarina. É fino e ligeiramente comprido, ainda sem aspecto de tartaruga-marinha.  Por isso me apraz essa região do corpo. Lembra-me uma das cenas mais sensuais do cinema, aquela do O Paciente Inglês, quando ele afirma que o ponto predileto da amante a desvendar é o pequeno declínio pouco abaixo do pescoço, próximo ao peito. Kristi...

Pedalando com Potter e Cora Coralina

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Para Monsieur Rodrigô,  que ouve todas as minhas insanidades sem a aquela cara que parece estar dizendo: e eu com isso?  (Mario Quintana com adaptações de quem escreve esse blog).  O conjunto de tubos metálicos agora está por toda parte. As duas rodas com seus raios concêntricos parecem dois sóis a refletir o astro-rei nesses dias insanos de calor. Para onde se olha, lá está uma bicicleta refutada. Às vezes, em pé e digna, aceita com altivez sua sina de objeto de consumo fácil. Noutras, jogada ao chão, retorcida. Corpo inerte, estendido sobre a folhagem ressecada.  Sinto comiseração pelas bikes ao relento. A imagem estática e solitária das magrelas nos mais inusitados pontos da cidade me dá certa angústia. Remete às cenas de abdução, de extermínio, de ataque nuclear que costumamos assistir no cinema ou na TV.  Num átimo, toda a humanidade desaparece sem aviso e sem piedade. Resta apenas a certeza de que estavam ali um minuto ...

Vermelhas e Amarelos

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Característica carioca marcante são as bancas de vendas de livros espalhadas pela região central ou pelas calçadas da zona sul. Foi numa delas, ao lado do prédio do Banco Central, que garimpei a adaptação de “O Mágico de Oz” que leio agora.  Gosto muito do filme, mas o roteiro tem algumas pontas soltas. As personagens soam um pouco forçadas a se reunir num encontro amalucado. A obra, claro, resolve a questão, ainda que não esteja lendo o original.  Estou me divertindo muito com essa fuga estratégica para um lugar mítico que faz parte da minha cinefilia. Ontem, pouco antes de dormir, invejava Dorothy Gale tombar, inebriada pelos efeitos sedantes dos campos vermelhos de papoulas. Tudo o que eu queria era um opioide que também me fizesse apagar todas as noites, a noite inteira.  Lembrei da pobre Judy Garland e do seu vício nos chamados barbitúricos, tão em voga naqueles tempos. Eram comprimidos para dormir, para acordar e para se manter magra e viável na...

Derivações sobre o cubo de Mr. Otis

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Passei o dia imaginando escrever uma história sobre elevadores. A manicure me notou tristonha: “Você está muito quietinha hoje”. Ah, lançar livro é exaustivo. Um empreendimento físico avassalador. Violenta emoção concretizar um sonho que de tão sonhado, tornara-se fossilizado (“minha alma de sonhar-te, anda perdida”)... Mas vender livro, aí, sim, vocês não tem ideia. É foda. Tarefa muito mais esquisita do que escrever dez romances.  Esse lance de se colocar na vitrine é muito tenso e exibido. Nem meu lado leonino me furta da sensação de vergonha, de autopromoção. A editora da Confraria do Vento me alertou: “o elogio tem de vir do outro. Sua tarefa é mostrar o livro, a honestidade dele: tá aqui o resultado do meu trabalho. Você não está se autopromovendo, fique tranquila”.  Mas quem disse que fico? Talvez para tentar me aprumar, a manicure contou: “Ontem à noite eu estava rindo sozinha lendo o seu livro. Meu marido me perguntou por que é que eu tava r...

Bonnilu ou Luciclyde

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A aula de balé havia sido das boas: pesada, difícil. Ela gosta quando o corpo reclama e renasce mais potente. Desceu a escadinha da escola para bailarinas adultas ao lado da colega de turma, a noiva apaixonada. É gostoso assistir ao desenrolar do sonho afetivo de outras pessoas, relembrar o vivido. O mundo é belo por isso: não apenas as mazelas e terrores se atualizam, mas também as narrativas de amor. Ao começar a atravessar a W2 Sul na escuridão do outono, um automóvel branco estanca em frente da dupla. O motorista grita de seu posto: Luciana? Atordoada, a mulher de meia-calça rosa faz um gesto afirmativo com a cabeça. O homem insiste: o seu nome é Luciana? Ela segue paralisada diante do fim iminente. Imagina logo a cena de Bonnie and Clyde: o homem saca o fuzil (que em breve será permitido a todos os civis insanos de um país mentecapto) e dá uma rajada de balas pela janela aberta. Pronto, tá lá o corpo estendido no chão. Mas por quê? Que desafeto poderia...

Múmia cibernética

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Vivenciar um exame de ressonância magnética (RM para os íntimos) é o mais perto que nós, pessoas comuns, filhos de Deus nascidos num país periférico e corrupto do mundo, chegaremos do futuro. Desse futuro de cinema: asséptico, artificialmente branco, luminoso e impessoal. Um porvir distópico, onde a máquina fala mais alto do que você. Aliás, emite sons inacreditavelmente estridentes e sua única opção é se submeter aos avanços da tecnologia.  Isso pode ser bom então. Ser um país fodido, desigual e ignorante. O tal futuro apocalíptico nem chegou por aqui e vai passar batido. Existimos na eterna Idade Média: fita VHS engastalhada no vídeocassete ou a famigerada conexão de internet mixa que lhe deixa hipnotizado pela setinha a rodar, rodar, rodar...  Você pensa que está pronta para segurar a onda quando os homens e mulheres futuristas lhe acomodam na nave. Tudo reluz a "2001, uma Odisseia no Espaço"; "Gattaca" ou "A Ilha". Fique à vontade pa...

Numerologia

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Nova Iorque e seus encontros improváveis, a babel de culturas e línguas... Quando iria imaginar fazer parte de um quinteto croata, alemão, chinês e japonês. Agora desfalcado, pois Akiko, a japonesa, voltou para Tóquio e Marija, a croata, também retornou ao país dela. Nova Iorque é assim: o eterno chegar e partir... As pessoas se cruzam, se gostam e torcem para um dia, quem sabe, se esbarrarem novamente em alguma esquina do mundo. Mas ontem almoçamos Peggy, a alemã - nascida na parte oriental comunista - e Sophia, a chinesa, que na verdade se chama Ying, e yo. Nos reencontramos no Westchester Community College, onde nos conhecemos e passamos mais de três horas almoçando e conversando num inglês de sotaques diversos. Os papos foram da política na Alemanha e Brasil às superstições dos chineses acerca dos números. Os chineses não gostam do número quatro, pois o caractere (grafia/símbolo) do quatro é igual ao símbolo da morte. Ying nos contou que quando viu o código te...

Amigo Imaginário

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"He walked toward the corner, thinking little at all about nothing in particular."  (Ray Bradbury in Fahrenheit 451) Na juventude, ao contrário da maioria dos jovens, eu ia para cama cedo. Às dez da noite já estava lendo o meu livro de cabeceira. Veio a maturidade e os filhos com toda a fuzarca de atenção, barulho, ordens, brincadeiras, sermões e demandas emocionais e físicas que a vida familiar impõe. Fui me tornando mais noturna, apesar de ainda ser uma pessoa de relógio biológico matutino. Minha energia criadora geralmente acontece pela manhã, mesmo que conviva com a marvada insônia há tempos. Entretanto, não pensem que aprovo o horário de verão. Ele penaliza os mais pobres, obrigados a acordar no breu da noite alta a fim de enfrentar frio e medo rumo às paradas de ônibus, trens e metrôs. Sinto que é um fardo a mais para boa parte da população, agravando a lista de nossas injustiças sociais absurdas. Mas, voltando ao ponto inicial dessa...

Absoluta Adele

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Neva torrencialmente. Nesses últimos dias, vi alguns filmes, a maioria sem menção de nota, pois prometi a mim mesma que não assistiria a nada que me fizesse amolecer o coração, uma vez que já estou vivendo no limite emocional. Por outro lado, resolvi seguir minha longa lista de filmes da Netflix e o do pôster acima estava em primeiro lugar. Pouco sabia sobre ele, além de ter dois atores que curto nos papéis principais. Qual não foi a minha surpresa ao acompanhar o desenrolar da história do quadro "Portrait of Adele Bloch-Bauer"!!! Admiro as pinturas de Klimt. A menos de um mês, fiz a irmã Marilena enfrentar fila de meia hora no frio para prestigiar o penúltimo dia de exposição de dez obras dele na Neue Gallery (de arte alemã e austríaca), localizada num deslumbrante casarão da Quinta Avenida, próxima ao Metropolitan Museum of Art. Entre primorosos quadros retratando mulheres enigmáticas, ele reluz divinal. É hipnótico o retrato de Adele. Quem teria s...

No caminho...

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Rever um belo filme é reencontrar outros tantos detalhes cênicos e palavras despercebidas. Faz frio, claro, é inverno em NY. Um inverno que costuma ser longo e duro até para os suíços (encontrei um colega de Bernardo na IBM reclamando, o que me espantou).  A experiência de viver fora de casa, com uma rotina sem rotina é emoção extenuante. Por isso, não tenho me desafiado além da conta com filmes que possam chacoalhar o coração. Todavia, não resisti em mostrar para a irmã Marilena, nesse dia de chuva ininterrupta, na temperatura introspectiva de 3 graus Celsius, sem falar nos filhos doentes, esta joia em prata da Cruz de Santiago de Compostela. Ter conhecido a cidade de mesmo nome e sua catedral magnífica, de portas abertas para todos os peregrinos, para todas as dores, promessas, desejos e realizações, foi uma das vivências mais profundas que já experimentei. Não à toa trago a tatuagem da mesma cruz de prata no punho, para me lembrar de como a vida é dura e mágic...

Groundhog Day

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Estava tudo azul na manhã de segunda a caminho do aeroporto JFK. Bernardones iria cruzar o país leste-oeste para uma conferência em Santa Bárbara, Califórnia. Deixei o rapaz no terminal 4 e apertei o GPS com destino casa. Pra quê... Teve início a jequice do dia. Para evitar pedágios, o GPS me enfiou na Queensboro Bridge, a mesma que atravessamos para visitar a amiga Agnes no Queens. Peguei um puta congestionamento porque todo mundo quer alcançar Manhattan na segunda por volta das 9h30 am. "Fui fondo", "fui fondo", seguindo o GPS pela FDR (Franklin Delano Roosevelt Drive) no sentido norte, mas, de repente, algum acesso fechado - sempre tem alguma coisa em construção ou reforma em NY - e o GPS começa a recalcular a rota. Você não pode ficar parada no meio do trânsito com a sua banheirona Subaru e não tem acostamento e não tem via de escape e não tem vaga e você perde a saída certa e, de repente, está voltando para o mesmo caminho da Queensboro Br...

NYPD

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Não sei se as coisas inacreditáveis acontecem comigo porque gosto de escrever ou se é porque a Lei de Murphy me ama. Anyway, tava aqui no apê atacando de diarista nesse verão insano enquanto aguardava o técnico da Verizon que viria instalar a Internet e a TV a cabo.  Dou uma chegada na varanda e vejo um monte de carro de polícia ( a foto já foi postada aqui). Logo depois, estaciona o furgão da Verizon. Um branquelão de dois metros sai da van e eu aceno para ele. Ele acena de volta e brinca: espero que tudo isso (a polícia) não seja pra você. Eu digo: também não.  Desço pra abrir a chatice da porta com senha. Estamos os dois na porta do elevador pra subir quando ela se abre e aparece uns cinco (dentre eles uma mulher) policiais super becados, na estica, uniformes impecáveis, armados, levando um cara algemado do meu prédio!!!!!!!!!  O técnico da Verizon e eu ficamos deveras espantados, ele começa a trabalhar na instalação e resolve descer pra pegar ...

Das fixações

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Filme de primeira é um apelo irresistível à revisão. É sempre instigante descobrir se a obra vai suportar segunda ou terceira conferências. Se a emoção permanece viva; se o argumento segue atemporal.  No último domingo, fui para a cama mais tarde revendo The Sixty Sense. Não dava para não rever! Quando foi lançado, mamãe e dindinha ainda estavam firmes e serelepes. Sentada no escuro do cinema com a minha irmã mais velha, os sentimentos eram diversos do que experimentei dessa vez.  Agora, minhas mães são dead people e eu me pego pensando que talvez fosse legal ser capaz de reencontrá-las nas madrugadas insones “all the time”. O que elas teriam a me dizer? Pediriam ajuda como sugere o filme? É reconfortante acreditar nessa teoria de que os mortos só querem o nosso bem e a solução de pendências.  Mas se elas aparecessem para puxar o meu pé e a minha orelha? Se tivessem a intenção de me castigar ou criticar? Bem sei que preciso de reprimendas. Qual seria...

A alma do negócio

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O importante é nunca se esquecer do que é essencial. Eis a moral da história dessa nova versão cinematográfica de “O Pequeno Príncipe”. Mas fica a pergunta complicada: o que é essencial? A resposta pode representar exatamente o oposto, incluindo um sem fim de sentimentos e coisas.  Essencial é deveras abstrato, deveras pessoal. O filme tenta dizer que não. Que essencial é não se vender ao sistema capitalista voraz; não se esquecer da sua criança interior; não desdenhar os sonhos; não controlar a vida com mãos de ferro. Quem discorda? Ninguém, almeja meu eu utópico.  Mas fazendo uma filtragem menos óbvia, começa a confusão. O que é essencial para mim pode não ser para você. Onde estaria o essencial personalizado, o essencial “Itaú” - feito para você? Eis o pulo do gato.  Provavelmente para a mãe sentada na mesma fileira do que eu e que não largava o celular, o essencial estava muito longe dali e, talvez por isso, a filhota não parasse de falar tent...

As paranormais

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Os bons filmes, assim como os vinhos, precisam de tempo para que sejam realmente avaliados e validados como bons. Escrevo essa máxima de bicuda, pois não sou especialista nem em cinema e muito menos em enologia. Só quis começar essa conversa com uma frase de efeito. Surtiu?  Mas eu tô falando isso porque ontem revi, com toda a atenção, o clássico de terror escrito, produzido e quase dirigido por Steven Spielberg: Poltergeist. Sei que a película foi reprisada dezenas de vezes na TV. Todavia, nunca tinha vontade de assisti-la de novo. Medo de quebrar a magia, o espanto e a história divertida que o cerca e que marcou a minha juventude candanga.  Só que ontem ele estava de bandeja na grade da programação da HBO do jeito que eu curto: às dez da noite, com a casa em silêncio: paz de crianças dormindo e marido também. Esse é o céu dos cinéfilos: você, a tela e a história! Nenhuma interrupção, total concentração. Tinha chegado a hora da verdade: Poltergeist teria resi...

Ouija em ação!

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O que fazem algumas pessoas a se entregar de corpo e alma em sofrimentos indizíveis por uma causa? Por que só algumas pessoas serão tocadas por esse chamado? Questões que sempre me fascinaram. Eu e a minha alma dramática, Joana D’Arc tupiniquim (da boca pra fora) queria muito ser uma enviada. Uma predestinada. Tem tanto furor nesses destinos, não?  Quem me dera ser o Quinto Elemento agregador, a missionária, a desbravadora, a que encabeçou a revolução. Essa paixão toda, que nunca foi minha, que é apenas uma ficção, me devora, me estimula. O que essas pessoas têm que a gente não tem? Terminei de assistir ao lírico filme Xingu e fiquei comovida. Histórias de ferro, fogo e obstinação revolvem minha lava.  Sinto que tenho vocação para mártir. O problema é que eu ainda não descobri pelo quê entregar a minha vida. Queria pra mim essa energia, esse ímpeto. A idealista ferrenha. Ser a primeira a chegar até ali. Abrir a picada no meio da mata. Montar um posto avançado. ...

Seleção Natural

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Toda família é mais crood do que pensa. A sacada do nome do filme já dá uma ótima pista: croods, na verdade, pode ser definido como “crude”. E crude é rude, selvagem, rústico e natural. Roots. Raízes. Fazia tempo que uma animação não me fisgava desse jeito. É inteligente, divertida e bem bolada.  - Esse é meu bicho de estimação!  - Bicho de estimação? O que é isso?  - É um animal que não se come!  - Ah, eu pensei que o nome disso fosse criança...  Hahaha!! Nada mais verdadeiramente cruel. Vontade de comer eu nunca tive, essas taras eu deixo para o Hannibal, mas de esganar, às vezes. E lá se fomos nós, os croods brasiliensis ao Cine Drive-In. A última vez que estive naquele lugar sinistro havia sido com o Bernardo em tempos de namoro.  Os meninos ficaram apreensivos na chegada. O cenário espanta mesmo. É escuro, desolado, decadente. Todavia, superado o impacto inicial, percebemos que mais croods fizeram a mesma opção para o fi...

Fetiches da sala escura

O Universal Channel lançou um desafio interativo: quer que o telespectador envie para o programa “What’s on” (relação direta com o “O que é que é há, velhinho?) suas cenas inesquecíveis do cinema. Nossa, esse tipo de apelo é infalível. Todo mundo adora um recordar é viver. Tem gente que é tão nostálgico que só vive de dizer “no meu tempo...” E há aquele grupo, no qual o meu marido Oscar (em homenagem ao tema) pertence, que sofre de angústia do futuro, ou seja, já fica padecendo pelo dia em que os filhos crescerão e deixarão o ninho paterno. Lá em casa os papéis (ainda em homenagem ao tema) estão um pouquinho invertidos, sabe? Mas cena de cinema inesquecível dá em pencas para mim. Não sou capaz de numerá-las ou de escolhê-las sem cometer injustas falhas de memória. Porque existem os quadros e existem as frases “unforgetable” (uma palavrinha em inglês que eu acho muito sonora, tipo bubble - bolhas - e coisinhas que flutuam no ar espiralando nossos sonhos). Nem sempre eles vêm juntos ...