Eternas capitais
Brasília tem um quê de outro planeta.
Uma nave em forma de ave que pousou no deserto abandonado e não mais decolou,
escangalhada ou presa pelas raízes profundas do que viriam a ser árvores de um futuro incerto.
Atlântida ressurgida dos abissais lençóis freáticos. Com estruturas esdrúxulas que se fizeram belas aos olhos de quem sabia apreciar o inédito.
Paradoxal cidade mítica forjada por céticos.
Da cabeça de ateus brotaram símbolos de imperioso ascetismo.
Veneração ao horizonte interminável e à divindade céu azul. Sem falar do Rá ao poente.
Acrópole alienígena recebe terráqueos desconfiados que devagar se acomodam em sua estranheza.
Miscelânea de utopias disformes e contraditórias.
Nada no sistema solar lhe parece.
Chuva de derrubar cacau.
O sol de inverno tá barril.
Venha!
Semiescondido
como o perro de Goyamacambúzio
búzio na areia lambido
pelas carícias de Iemanjá
sonha com Iansã,
Ogum ou Xangô
Não quer a mãe
Oxalá, outra qualidade
de amor.

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Muito lindo, Lu. Louco tb, como Brasilia é.
ResponderExcluirAna Cecília
Linda Salvador, 💜 linda Brasília, 💜as vezes meio esquisita ao primeiro contato…lindos textos e lindas fotos!
ResponderExcluirCynthia 🌻