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Mostrando postagens de julho, 2026

Delicadezas e silêncios

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A escritora norte-americana Katie Kitamura afirmou, numa entrevista publicada em 19/7 no O Globo, que “vivemos tempos de carência de sutileza”. Sem dúvida, os tempos são brutos. Tudo é explícito ao nível do pornográfico nestas redes sociais. Ostentação e superficialidade agressivas. As pessoas perderam o pudor de se mostrarem rudes, mal-educadas. A empatia saiu de cena. Em contraste com este comportamento árido, temos os gatos. Conviver com eles me dá a oportunidade de aprender com o minimalismo. Eu, tāo barroca, afeita ao exagero, preciso me conter para que eles se sintam à vontade, para que se aproximem. Gatos não curtem movimentos bruscos, barulhos, excessos. São seres comedidos por natureza. Preferem contatos lânguidos e lacônicos. Grandes mestres do etéreo, da leveza e do toque sutil. Eles se aconchegam com precisão em nossos corpos. Não invadem o espaço de ninguém. Tateiam e preparam o terreno antes de pedir passagem. Aos humanos resta entender que a liberdade é irrestrita nos af...

Parece água, mas não é

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Estamos na mesma caravela janelas abertas nada acima além do brilhante céu nada abaixo além do escuro abismo Nossas velas inflam ao vento da audácia desvendar caminhos aquosos. Sextantes mapeiam constelações mas temos nossa miopia a nos desviar das correntes marítimas. Buscamos o horizonte nas manhãs e afora o sol aquaplanando o sal não se divisa o seguro porto destino almejado de todo navegante que apenas espera pela próxima partida. Na entrada do shopping chique, um cãozinho muito simpático. A tutora nem tanto. Não me atrevi a chegar mais perto, apenas acenei: oi, bonito! (Sem saber se tratava-se de uma bonita). Nossa tendência patriarcal de, automaticamente, pensar nos artigos masculinos. Pelas alamedas daquela espaço gelado pelo efeito do ar-condicionado assim como pelas monótonas vitrines elegantes e caríssimas, também circulavam jovens sem graça, padronizados por uma estética de palidez, de esqualidez e de languidez angustiantes, principalmente as garotas, que pena. Como serão ...