Papocos
O Judiciário evolui apesar dos pesares. Que interessante e necessário este Protocolo de IA para identificar processos pela perspectiva de gênero. Não será a panaceia, evidentemente, para por um basta na violência contra a mulher, mas deixa a situação ainda mais transparente para os operadores do Direito. Queria compartilhar com vocês os highlights do que ouvi dos especialistas e que exponho aqui com as minhas palavras:
O protocolo criado para identificar processos com viés de gênero é uma força contrária à inércia.
A inércia é discriminatória. O protocolo nos ajuda a enxergar os estereótipos (visões tendenciosas) adotados numa análise dos pedidos de proteção feitos pelas mulheres.
O protocolo permite aos juízes conhecer as dinâmicas de gênero como elas são.
O agente de IA Raquel é um filtro para identificar aspectos discriminatórios nos processos envolvendo violência de gênero ou mesmo outras questões sociais perpassadas pela ótica feminina, como, por exemplo, vagas em creches, algo que atinge mais fortemente as mulheres do que os homens.
A raiz do problema da violência contra a mulher não tem natureza penal (as penas aumentam e a violência não cessa), mas social, da assimetria entre os papéis na sociedade. A cultura machista e misógina resiste às legislações porque ela está subjacente, entranhada culturalmente.
Para determinar medida protetiva não precisa ter o inquérito. Basta ter o risco de.
Enquanto o risco existir, a medida é vigente. As medidas protetivas (tornozeleira eletrônica, por exemplo) se aplicam às várias violências de gênero no âmbito familiar ou de afeto.
Epistemologia: lente para analisar um objeto. Estereótipo é um atalho cognitivo para que tomemos soluções rápidas e, muitas vezes, equivocadas. Os nossos estereótipos são opressores, baseados na epistemologia do “Homem médio”.
Não existe aplicação abstrata do Direito. Nossa psiquê, as matrizes do racismo, do machismo, da misoginia entram em cena imediatamente quando uma mulher preta com roupa curta, com piercing, entra na sala de audiência. Talvez ela tenha sido “corresponsável” pela violência que sofreu.
As mulheres são sempre assombradas por seus "corpos em perigo", uma verdadeira hermenêutica (entendimento profundo) da depressão.
A expectativa de igualdade de gênero, numa análise especulativa da ONU, levará mais de 286 anos!!!! Por isso a IA Raquel não representa o fim do cenário de horror da violência de gênero no Brasil, mas, talvez, seja o primeiro passo para escancarar, constranger os preconceituosos. A mudança cultural só virá muito tempo depois.
Deu um pipoco
preciso comprar ovos
alho e banana
não se esqueça das lavandas,
mana.
Pitangas aos borbotões
amoras ainda anãs
para o suco não amargar
esprema com água, bem devagar.
O sol incandesce
estala
a mente não entende
não cala
um País masoquista
que desafia
suas conquistas
se aferra
ao que não presta
dobra a aposta
desembesta.
Espreita o futuro escuro
mas outubro
é primavera
e as rosas mais vivazes
são vermelhas.


Achei interessante, saber desse Protocolo e da participação da IA Raquel…e que venha a primavera com suas flores várias e belas💐
ResponderExcluirCynthia 🙏🥰
Que lindo Lu! E ainda finaliza com poema! 🩷
ResponderExcluirVou divulgar nos grupos das mulheres promotoras.
Tânia
Muito bacana! Gostei! 🌹
ResponderExcluirQue máximo, viva a IA Raquel ❤️
ResponderExcluirRenata Assumpção
Pitangas aos borbotões😉
ResponderExcluirGostei muito, Lu! Depois quero saber mais sobre.
ResponderExcluirJuliana Meneses
Repassei para um grupo de colegas juízes. Um deles está interessado nos prompts. Se por acaso vc tiver acesso, se por acaso autorizarem…
ResponderExcluirAna Cláudia