Buraco de Minhoca


Rodopio ruidoso
onomatopeico
grilos
cri-cri
gravetos
grec-grec
cascas lançadas ao léu
cascos sobre cascalhos
crac-crac
vento ventoso veloz
baila à revelia
folhas estalam
do chão vão ao céu
das copas vão ao chão
vrão, vrão
da janela descortina-se
a melodia natural
de uma pantomima:
chuva, cadê?




Dia 23/9 é a data de aniversário da vovó Paula. Faria 93 anos. Certamente estaria muito preocupada com o futuro do País, mesmo sabendo que não iria vivenciá-lo. Era uma mulher antenada, crítica, leitora. Muitas vezes de opinião política contrária ao dos filhos e da nora. Nunca foi petista, porém, nas eleições presidenciais de 2018, as últimas antes de sua morte, sem obrigação de votar, esteve nas urnas e votou em Haddad, pois sabia que o contrário era absolutamente inaceitável.
Penso que faria o mesmo agora. E eu a levaria com muito orgulho para teclar 13. Com certeza também estaria horrorizada com o desgoverno abjeto de Inganeis/Celina Leão, e tentaria reverter a reeleição de uma chapa que vem destruindo o Distrito Federal.
Estas eleições estão profundamente indigestas. Agora sabemos que o Brasil está perto de aceitar a banalidade do mal, pois dele provou e, bizarramente, gostou. Assim como a Alemanha, que ensaia um retorno ao extremismo nacionalista. Decidi tentar não ver mais tantas análises, pesquisas, noticiários. É difícil para uma jornalista se livrar da tentação da informação.
Mas estou com o estômago embrulhado, angustiada, esgotada da nau dos insensatos. Outubro vai demorar a passar como um agosto. Só espero que ao final, não nos mate de desgosto. E que chova, chova logo, chova muito: chuva de água e de bênçãos. Pareço uma sertaneja de joelhos ao chão e mãos aos céus pedindo água para o solo candango e um Brasil de saneamento e dignidade básicos.
Que minhas preces sejam atendidas, ainda que eu seja agnóstica, Deus!




Na última segunda, fui convidada para assistir a uma palestra sobre buracos negros e afins. O colega e amigo do Bernardo, querido Jonas, me disse que seria quase para leigos e eu acreditei. HAHAHA. Sempre achei muito instigantes e poéticas as denominações na Física. Não à toa meu livro de poemas se chama "Horizonte de Eventos". Acredito que as metáforas e as alegorias embutidas nas terminações físicas são infinitas como o universo que tanto desconhecemos. Vejam que possibilidades incríveis teria um bom escritor com estes conceitos:

Multimensageiros: ondas gravitacionais, eletromagnéticas, neutrinos e raios cósmicos.

Muito altas energias acima de 10 a 19 eletrovolts.

Extragalácticos 


Mas, vamos ao que fui capaz de apreender da tal "palestra qualitativa" do meu já velho novo amigo Doctor Strange Jonas:


A Física dos extremos é o ramo da Física que estuda a matéria, a energia e o espaço sob condições muito distantes do nosso cotidiano. Esse campo investiga como as leis da natureza se comportam nos limites máximos do universo, ajudando a revelar segredos sobre a origem do cosmos e o funcionamento da própria realidade.


O Sol é uma estrela pequena que em 4,5 bilhões de anos vai se transformar numa gigante vermelha e a vida na Terra se extinguirá. Que meda!!

Supernova é uma explosão violenta. A última aconteceu em 1987. A explosão forma estrelas de nêutrons ou buracos negros.

Betelgeuse (não confundir com Beetlejuice) vai se tornar uma supernova, mas os cientistas estimam que isso deve acontecer apenas nos próximos 100 mil anos. O que vai acontecer quando ela explodir?
Brilho intenso: A explosão será mais brilhante que a lua cheia e poderá ser vista da Terra inclusive durante o dia.
Duração: O brilho forte no céu vai durar por cerca de dois a três meses.
Segurança: Estamos a uma distância segura de 640 a 724 anos-luz, então a radiação não nos fará mal.
Destino final: Após o colapso, ela vai se transformar em uma estrela de nêutrons ou em um buraco negro.

O buraco negro é a pedra angular do estudo da Cosmologia. O da nossa galáxia (Via Láctea) se chama Sagitário A*. São aberrações que existem de fato.

Quasar: é um super buraco negro que está no centro de uma galáxia.


O Horizonte de Eventos é uma membrana que salva a nossa vida. Ela é muito relevante porque impede que o que está no interior do buraco negro se comunique com o exterior. Afinal, os físicos nada sabem (ainda) das aberrações que podem haver ali dentro. Já pensou se há uns Krakens siderais que exterminariam a humanidade? ;)

Além desta linha tênue, é um grande ponto de interrogação. Se ultrapassarmos o horizonte de eventos, acabou. Ninguém nunca passou ou voltou de lá para nos contar. Tipo assim se existe vida após a morte ou não, saca? 😀

A hipótese (ou conjectura) da censura cósmica postula que o universo esconde pontos de densidade infinita — chamados de singularidades — atrás de um horizonte de eventos, impedindo que eles fiquem visíveis para o resto do cosmos. Proposta pelo “primeiramente matemático” (a fogueira das vaidades entre físicos e matemáticos é maior do que qualquer buraco negro) britânico Roger Penrose (ganhador do Nobel), em 1969, infere que, até o momento, todos os buracos negros descobertos apresentam horizontes de eventos, o que nos proteje de enlouquecer como os cientistas, ufa!




E para terminar esta salada de frutas, falando em fenômenos anômalos...

Resolvi sair do hiperfoco eleição assistindo a uma série limitada. Como não gosto de séries norte-americanas e já conferi quase todas boas produções de suspense psicológico nórdicas, encarei uma enigmática história japonesa chamada SAI (Desastre), na qual seis pessoas que não se conhecem cruzam com uma mesma personagem esquisita em diferentes situações. , uma nova tragédia acontece.
Fotografia e enquadramentos (cinematografia) lindos e aquelas situações subentendidas bem ao estilo oriental. A galerinha de hoje diz que o lance é mindfuck, e é mesmo. O primeiro episódio foi bem legal, mas sombrio, melancólico, deprê até, but I like it.
Quase no fim da exibição, rolou um pico de energia (o Lago Norte é pródigo nisso). Tudo ficou às escuras por alguns segundos. 
Quando a luz voltou, o som da sala tocava em bom volume Stairway to Heaven. Tudo a ver com o tema que estava vendo, mas bastante assustador, pois Rômulo não ouviria àquela hora e aquela canção na sala. Bernardo já dormia há algum tempo e eu tive de descer a minha escada paradiso para desligar o home theater. Creepy vibe, sô!

Comentários

  1. Amei as onomatopeias!

    Bianca Duqueviz

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  2. Ler você é melhor do que banho de cachoeira, Lu!

    Luciana Barreto

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  3. Isso é uma obra de arte 💞

    Karla Liparizzi

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  4. Adorei seu texto! Luciana, você pesquisou, se indagou e aprendeu todos os pontos! Você fez o que quase nenhum aluno da física faz 🤯

    Jonas Pereira

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