Postagens

Tal qual criança

Imagem
...Eu teria um desgosto profundo, Se faltasse o flamengo no mundo... trecho do hino do Flamengo Não. De jeito nenhum. Nunquinha. Imagina...Nem em sonho. Tá louco? Jamais. Nem de brincadeira. Pirou? Impossível. Que ideia é essa? No, no, no, no, no. Never in my life eu vou ser flamenguista. Totalmente contra os meus princípios. Mas, admito, fiquei por um triz nesse último domingo. Tinha de ser o destino para me colocar ali no Maracanã pela primeira vez. Ele e eu; eu, o estádio e o Flamengo. Nada mais icônico. Assim é covardia. Por pouco não virei rubro-negra desde quando encarnei na Pérsia, lá pelos idos dos anos 700dC (quem me garantiu essa história foi o pai de uma amiga entendido no assunto. Flamenguista, por sinal). No ano de Copa do Mundo não poderia me dar presente mais glorioso: assistir a uma partida de futebol no Maraca. Calhou de ser Flamengo x São Paulo pelo campeonato brasileiro. Fazer o quê? Não é sempre que se pode estar na cidade maravilhosa desfrutando da oportuni...

A picada nossa de cada década

É tudo mentira. Você aí, criança, não acredite nessa história da carochinha que lhe contam toda vez que você vai tomar injeção: “é só mais uma, agora acabou!” Acaba nada! A gente pensa, com alívio, que aos cinco anos de idade estará livre dessa praga e, desolada, descobre que foi enganada. Esqueça: durante quase toda a sua vida, que será longa graças aos avanços da medicina, estenderás o braço para a estocada de cada década. Alguém pode me dizer por que gastam rios de dinheiro clonando a Dolly, criando novas bactérias em laboratório, inventando Viagra e brigando na Justiça pela patente dele, e ninguém pensa em tirar da cartola uma maneira menos horripilante de imunizar as pessoas? Bendito, Zé Gotinha!!! O paraíso sonhado pelas crianças e marmanjos traumatizados é um lugar sem agulha! Nessa semana estava lá de novo, uma mulher sem esperança de um dia não ser mais violada pelo profissional de jaleco branco. Uma hora e meia na fila para tomar a vacina contra a tenebrosa H1N1. Tentei b...

“Quebrou? Osaka conserta!”*

A minha primeira vez foi nos EUA e, depois, nunca mais parei. Pegadinha manjada, mas irresistível. Só que tô falando é da venda de garagem...As “garage sale”, que vemos nas centenas de faixas brancas e amarelas que poluem o visual da cidade. Nessas horas penso por que o brasileiro acha natural nomear as coisas em inglês quando a língua pátria já nos fornece tantas possibilidades... Meu filho Tomás, tadinho, é sempre o Thomas. Mistério... Pois é, acabei fazendo o que considerava um crime inafiançável: também poluí minha cidade, rasgando o passado de militante contra a degradação visual...Teve época em que saíamos, Bernardo e eu, arrancando tudo quanto era faixa que parecia brotar da geração espontânea nos balões, retornos, cruzamentos. Taí, não esperava por isso: encomendar e pagar por duas faixas amarelas de chão para anunciar uma venda de garagem. - Garagem sale, você quer dizer? – perguntou o rapaz da loja de quintal, ou melhor, de subsolo ao anotar o texto que eu estava ditando....

Brasília teimosa

Eu costumava ser orgulhosa do fato de ter nascido em Brasília. A cidade e sua arquitetura única e mal-compreendida parecia perfeita para mim, que sempre procurei a diferença; que sempre me atraí por pessoas, estilos e caminhos alternativos. Brasília e eu éramos complementares em nossa indignação e rudeza. Porque Brasília parece fria e concreta demais aos olhos desavisados, mas doce e acolhedora na face escondida que mostra apenas para os mais corajosos. Brasília costumava ser uma metáfora de mim mesma, tentando brilhar num horizonte que não dá muita bola para os ousados de plantão, a flor rara do cerrado. Ter nascido aqui surpreendia as pessoas. Eram incomuns os brasilienses e isso me destacava, assim como ser canhota e ter o rosto miscigenado, traços que me ajudaram a construir uma identidade muito particular. Porém, durante os longos e tenebrosos anos do governo Roriz, Brasília foi se tornando uma cidade como as outras, com suas mazelas, favelas e falcatruas. Uma cidade que entrou ...

Movimento das marés

Aí está ele, o mar, a menos ininteligível das existências não-humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Clarice Lispector Talvez seja mais parecida com a minha mãe do que eu pensava. Não que eu quisesse negar conscientemente a semelhança por implicância ou incompatibilidade de estilos. Era mais uma ignorância mesmo. Como se houvesse um perene eclipse do sol sobre a lua... É que eu tenho a sorte de ter duas mães. Jandyra, minha madrinha, brilhava como o astro-rei, com sua força, onipresença e intensidade. A presença autoritária daquela senhora de personalidade única ofuscou o papel de mamãe durante todos estes anos. Mas agora, que o brilho de uma se apagou, posso reconhecer que sou uma mistura das duas. Ainda tenho tempo, antes que a companhia lunar da mulher que me colocou no mundo se vá definitivamente, para rever a influência dela sobre mim. Mamãe: translúcida, fugidia e misteriosa...Um coração insondável que eu persegui por tantos ano...

Leitura obrigatória

Tá certo,vou admitir: a Luana Piovani é mais inteligente do que eu pensava. Além de escultural, novinha, sexy, também é dona de boas respostas. Pura covardia! A menina deu um show na entrevista da revista Monet, que, aliás, é uma publicação excelente para quem curte cinema, TV, séries, cultura pop, cartoons...Leio de cabo a rabo e sempre me divirto. Nesse mês, eles fizeram uma lista dos 100 melhores desenhos animados “de todos os tempos” e foi muito gostoso poder relembrar Corrida Maluca, Formiga Atômica, Manda-Chuva, Os Flintstones (para mim o BamBamBam, sem trocadilhos) A melhor parte foi compartilhar a leitura com a minha cria, que também pôde conferir alguns de seus desenhos “favoritos” ali na lista. Passado e presente juntos. Ele reconhecendo os dele e conhecendo os meus e vice e versa. Scooby Doo ficou em primeiro lugar. Pode haver controvérsias, mas é sintomático o fato de o meu filho de cinco anos se amarrar nessa turma como eu também gostava quando tinha a mesma idade. Po...

Um novo Big Bang

         Não gosto de ser ave de mau agouro. E apesar de cultivar um certo pessimismo em relação à Humanidade, especificamente à humanidade dos brasileiros, fico muito chateada quando alguma teoria mal humorada que formulo se comprova verdadeira. E desta vez aconteceu tão rápido que me assustei com a minha própria boca de sapo.           Na quinta à noite, eu assisto à reportagem do garoto “herói” dos EUA. Ele leva a irmã mais nova e o celular da mãe para o banheiro e liga para polícia pedindo ajuda porque ladrões invadiram sua casa. Os bandidos arrombam a porta e, quando percebem que o menino conseguiu avisar os policiais, fogem sem machucar ninguém.  Digo para o meu marido: “Se fosse aqui no Brasil, eles teriam atirado na cabeça das duas crianças e dos pais dela e, aí sim, fugiriam. Aqui, ninguém se lixa para a vida alheia porque não dá cadeia. E se der, será por pouco tempo. Afinal, pra que...