Eternas capitais


Brasília tem um quê de outro planeta.

Uma nave em forma de ave que pousou no deserto abandonado e não mais decolou,

escangalhada ou presa pelas raízes profundas do que viriam a ser árvores de um futuro incerto.

Atlântida ressurgida dos abissais lençóis freáticos. Com estruturas esdrúxulas que se fizeram belas aos olhos de quem sabia apreciar o inédito.

Paradoxal cidade mítica forjada por céticos.

Da cabeça de ateus brotaram símbolos de imperioso ascetismo.

Veneração ao horizonte interminável e à divindade céu azul. Sem falar do Rá ao poente.

Acrópole alienígena recebe terráqueos desconfiados que devagar se acomodam em sua estranheza.

Miscelânea de utopias disformes e contraditórias.

Nada no sistema solar lhe parece.






Salvador


Chuva de derrubar cacau.

O sol de inverno tá barril. 
Venha! 


Semiescondido
como o perro de Goya
macambúzio
búzio na areia lambido
pelas carícias de Iemanjá
sonha com Iansã,
Ogum ou Xangô
Não quer a mãe
Oxalá, outra qualidade
de amor.


 

Comentários

  1. Muito lindo, Lu. Louco tb, como Brasilia é.

    Ana Cecília

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  2. Linda Salvador, 💜 linda Brasília, 💜as vezes meio esquisita ao primeiro contato…lindos textos e lindas fotos!
    Cynthia 🌻

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  3. Que maravilha! Amei!

    Marcelo

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  4. Adorei sua descrição criativa de Brasília.

    Sandra Modesto

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  5. Realmente, uma baita estranheza lindérrima. Yasminne.

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