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Mostrando postagens com o rótulo Brasilia

Repetência

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“Dona de mim outra vez deixo-me levar por este fluxo mágico que me convoca e estou ali, falando com alguém e é bom estar assim tão só e tão acompanhado. Escrever exige solidão, silêncio e uma outra frequência para conhecer o som das palavras e seus mais recônditos sentidos e significados. Quem escreve precisa deste isolamento, desta perspectiva e deste jeito de estar no mundo, distraída, um pouco presente, outro pouco ausente. Requer rituais e entrega absoluta aos rituais, travessias por um mapa desconhecido, e uma paciência infinita. Porque sempre somos vistos como pessoas esquisitas, estranhas”.  (Lélia Almeida) Sapituca matinal para ver o dia lá fora. Agosto é pródigo em horas perfeitas para as pipas ziguezaguearem acima de nossas cabeças.  Na era do zunido de drones, os papagaios resistem no céu com a elegância silenciosa do papel de seda atado às varetas de bambu. A delicadeza do voo se assemelha às bandeirolas juninas flanando impulsionadas pelas rajadas de vento. O iníc...

Alicerce

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16 de janeiro é a data-natal de mamãe. Gosto do fato de ela haver me contado que a mãe dela havia lhe contado que ela não havia vindo ao mundo no dia 1° de maio de 1937, e, sim, cinco meses antes, em janeiro. Acontece que naqueles tempos embrutecidos de vida na roça, os pais não se importavam com a exatidão dos nascimentos dos filhos. Eram tantos, como um ano após o outro.  Meu avô aproveitou o feriado do Dia do Trabalho para ir até a cidade e lá pernoitou a fim de comprar mantimentos e, de quebra, registrar minha mãe sob o signo de Touro quando, na verdade, Maria (interessante o pai ter escolhido a grafia simples, sem os acompanhamentos religiosos típicos. Seria ele um agnóstico?) era capricorniana. Tenho especial apreço pelos carneiros. Eles são o meu fio-terra. A solidez de mentes que não divagam, mas refletem com sensatez.  Nada de reticências, hipérboles, onomatopeias, fugas comuns de piscianas diletantes. Carneiros são portos-seguros e naves-māe, com...

Estamparia curativa

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Estou sentindo falta da Poli, Poliana, minha gentil e super profissional manicure e podóloga. Uma menina que batalha, que tem sonhos e voa. Agora mesmo, está experimentando uma vida irlandesa. Foi aprender inglês e espiar o velho mundo. Não sei se volta pra cá, um mundinho geologicamente novo, mas ideologicamente arcaico. Vou entender se ela quiser se sentir cidadã todos os dias. Sem medo de assalto, sem engarrafamentos exasperantes, sem falta de civilidade. Uma boa manicure na Europa é um tesouro disputado! Habilidade valorizada. A ausência de Poli perto de casa me fez rebolar. Conheci Stefane, a manicure que trabalha no subsolo do Tribunal. Ela também me parece uma menina bacana, com ideias muito próprias, mas com uma certa sombra no olhar que reconheci imediatamente. Semana passada descobri que ela fora atropelada na infância enquanto aguardava educadamente na calçada para atravessar a rua (a selvageria do Brasil da miséria humana). Passou meses, quase um ano,...

Jandyra on my mind

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"Georgia, Georgia, no peace I find. Just an old sweet song keeps Georgia on my mind..." (Hoagy Carmichael) Dindinha não sai do me pensamento nesses dias...  Tudo começou no Dia de todos os Santos, quando a rádio que eu adoro estava veiculando músicas que falassem ou tivessem nome de santos. Daí, eles tocaram Saint Jude, do Florence and The Machine.  Depois, decidi usar o medalhão de São Judas que minha madrinha não tirava do pescoço e eu herdei.  E hoje resolvi reproduzir a farofa de ovos dos churrascos mensais da paróquia São Judas Tadeu, de Brasília.  Dindinha morreu em novembro, não recordo bem o dia, acreditem. Eu prefiro lembrar dela viva, recepcionando os comensais no salão de festa da igreja a cada primeiro domingo do mês.  Saudades desses churrascos que fizeram parte de toda a minha vida...

Goodbye, good Education!

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Open School... Engraçado o ano letivo começar de ponta à cabeça para nós, nativos do hemisfério sul. A qualidade da escola, do staff e, principalmente, dos professores das escolas públicas de NY sempre me deixam boquiaberta. E agora com uma dor no peito. Romulito vai perder tantas coisas bacanas que serão feitas ao longo do quinto ano.  São passeios, atividades extras como aula de música, aula de instrumento (a professora nos disse que ele está muito bem no clarinete, vamos manter as aulas no Brasil), coral, laboratório, mad science, biblioteca interativa linda, onde aprendem a pesquisar em livros, online além de serem apresentados à grande literatura.  Falando nisso, Tomás tem aulas sobre Shakespeare e outro dia estava lendo um conto de Tchekov. No Brasil, nos limitamos a ler literatura brasileira e portuguesa. É provinciano.  Nas classes de Arte, o professor vai trabalhar Picasso e George O’Kiefe! Quase ri, pensando que só conheci a artista já adul...

Feijoada no Céu

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O sonho da madrugada reuniu dois mortos queridos. Talvez porque uma gostasse de cozinhar; o outro, de comer. Dindinha morreu no fim de 2009. Claudio Roberto, no início de 2017, para ser exata, no dia do meu aniversário: 21 de fevereiro. Recebi a notícia por mensagem do facebook de outro amado: Marco Antônio que, sem saber que estava para jantar relaxadamente sozinha com o marido na última noite em Miami, me repassou a notícia. Ainda bem que já havia retido na janela da alma as cores intensas da capital da Flórida. Também já havia armazenado o calor da brisa morna das ruas mais latinas do que norte-americanas, pois, de repente, tudo ficou gelado e escuro. O prato de ravióli, largado pela metade (Claudio Roberto iria me repreender por tanta heresia). Quem mandou conferir as redes sociais enquanto o marido estava no banheiro? Claudio Roberto, o segundo amigo de infância que perco na vida. O primeiro foi o vizinho e amor platônico Toninho, sobre quem escrevi à época. C...

Pique - Pega

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Cruzando da Sul para o Norte, um olho no asfalto, outro nas nuvens que tentam me alcançar.  Grão de liberdade.

Tico e teco em curto circuito

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Não gosto de biografias. Não gosto de revistas especializadas e seus textos de sucesso empresarial. Não gosto de literatura de autoajuda. Não gosto de cinco dicas para ser gostosa. Da lista de melhores filmes, melhores músicas, de supermercados, de segredos de beleza, manuais, vídeos de capacitação edificantes,  conselhos úteis, caminhos fáceis. Daqui a pouco eu vou compor uma música mais legal do que a da Adriana Calcanhoto: “eu não gosto de bom gosto, eu não gosto de bom senso, não gosto.”   A vida já é tão ela mesma todos os dias, por que eu vou ler sobre a vida dos outros? Tá, admito: isso é muito pisciano. E aí o meu marido vai dizer: que se foda a astrologia! Mas eu sou escapista, sim, vai encarar? Deveria estar lendo os livros “profissionais” que eu vejo estrategicamente dispostos na mesa do meu chefe geração Y : Likeable Social Media, Brand Media Strategy, Marketing no Setor Público, Advertising and Promotion...  Enquanto isso, na minha mesa tem...