Aguardo a sessão de terapia no segundo andar de um prédio com funcionalidades mistas, ou seja, pessoas vivem e trabalham por aqui ou exercem ambos os cotidianos no mesmo lugar. As portas estão fechadas. O corredor não é grande, quase familiar. Os únicos objetos a quebrar a monotonia do espaço são os capachos. Cada apartamento, cada sala tem a sua cara: a face estampada no tapetinho ao pé da entrada. Um convite, uma recusa? Pelo capacho é possível intuir a personalidade de quem habita ali detrás? O que os objetos que escolhemos falam de e por nós? lar doce lar um lar, um porto seguro, abrigo onde se reenergiza com cores quentes e alegres. É jovial, otimista. Nao abre mão de ficar em casa, arrodeado por memórias e por quinquilharias. Aldeia global Inquieto, vive no entre, between. Almeja chegar apenas para poder partir. Na verdade, parte ao entrar pela porta, aporta ao viajar. “Seu lar é onde estão seus sapatos.” Mas fique pouco tempo Polido, discreto, convencion...
Tenho certeza de que vocês não vão acreditar. Porque eu mesminha também não acreditei e vocês sabem ou deveriam saber que eu sou daquelas que amam uma serendipidade e as tais conexões telúricas. Vivo encontrando ligações onde talvez não exista nenhuma. Será que forço a barra do acaso ou o destino é meu chapa? Descobertas acidentais são metafísica em estado puro e como não aprendi com a minha madrinha a ser devota, apenas imagino vínculos mirabolantes brincando sozinha. Sob o olhar complacente de Jesus crucificado, Maria - mãe afetuosa – e da sagrada legião de santos, não me redimi de ser criança. Sendo assim, eis que os anjinhos travessos aprontaram algo surreal comigo ontem, numa quarta qualquer. A tarde já estava pela metade e eu bem cansada após algumas horas com a afilhada de cinco anos (ser tivó é o que dá para ser após os 50cinquenta, olhe lá). Ainda rolou umas compras no Carrefour (odeio supermercado) e faltava mais de uma hora para a sessão de terapia que não houve na se...
Esse negócio de coabitar o recinto dos felinos não está dando certo, não. Sinto preguiça, uma languidez fenomenal. Os bocejos são muitos, a sonolência, infernal. Fico pelos cantos, imóvel, estátua sem pedestal. Semicerro meus olhos, num estado animal. Penso apenas em me jogar no sofá, na cama, na grama... Horas sem nada a fazer além das folhas da aroeira ver. Sozinha estar, apreciar o pouco falar. Tenho comido pequenas porções as unhas enormes, de leões. Serão os gatos feiticeiras transmutando a embusteira? Dizem as más línguas: gato chega a matar gente! Pois minha humanidade se esvai felinamente. Daqui a pouco abandono os óculos, ganho olhar de lince. E quando o corpo saltar sem peso não mais me reconheço. Na dúvida, fotografe todos os pés de nuvem, de algodão doce ternura de noivas na passarela da nave cabelos das avós que não conheci. Tudo dentro da normalidade sem gracinha. Só as flores jamais são sem gracinha na impertinência ...
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ResponderExcluirSua poeta linda!!! Bom-dia!!!
ResponderExcluirClaudia Valadares