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Comunicar para “cidadanizar”

“A empresa privada pode trocar de produto e de cliente. A pública não pode trocar de cidadão”. Assim o renomado professor e pesquisador francês Pierre Zémor instigou os participantes da palestra “Comunicação Pública – a experiência francesa” a pensar as particularidades de quem trabalha no setor para fornecer informações transparentes e didáticas à sociedade. A palestra aconteceu no auditório da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e contou com a participação de quem milita na área e valeu para conhecermos a evolução da Comunicação Pública na França e debateram semelhanças e diferenças do trabalho existentes entre os dois países. Pierre Zémor, que é pioneiro no estudo do tema e autor de vários livros referência, abriu a palestra enfatizando que Comunicação Pública é compartilhar, trocar informações de interesse coletivo produzidas por organizações investidas de missões que dizem respeito à sociedade. Exatamente por isso, o trabalho dos profissionais de Comunicação que ...

Neurotic short story

“Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia, toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia, úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria, sífilis, ciúmes, asma, cleptomania... E o corpo ainda é pouco” (Arnaldo Antunes) Cheguei adiantada para a aula de hidroginástica. Joguei-me numa poltroninha preta e fiquei esquadrinhando o ambiente à espera de entrar na piscina. Ao meu lado, uma senhora muito elegante, bonita, de sobrancelhas perfeitamente desenhadas puxou conversa: "você faz o quê?". Hidroginástica, respondi. "Eu faço yoga". Ah, eu também faço yoga, mas em outro lugar. Yoga é ótimo, né? "Eu não tenho coragem de entrar na piscina cheia de gente, tenho horror", ela confessou. Achei que era o momento de mostrar para ela que a gente pode superar traumas e dei o meu testemunho edificante: Eu também tinha esta prevenção com piscina, por isso resolvi fazer hidroginástica. "O meu médico até me recomendou, mas eu já fui falando para ele “qualquer coisa, menos p...

Vamos falar da boa convivência?

Livros de etiqueta quase sempre se tornam bestsellers. Todos querem saber como se vestir para ir a um casamento, como se portar numa entrevista de emprego, como receber convidados em casa, o que falar ou o que não falar no primeiro encontro com o namorado(a). A preocupação com a postura no ambiente de trabalho e nos relacionamentos afetivos está na moda. Até para se corresponder via e-mail já existem regras de boa conduta, a “netqueta”. Sinal positivo de que o ser humano está numa contínua busca por relações mais cordiais e respeitosas com os seus semelhantes. Entretanto, nem sempre o que se lê nos livros acaba sendo aplicado no dia-a-dia. De vez em quando, na correria para chegar e sair de casa ou do trabalho (a vida moderna orientada pela opressão do relógio), nos esquecemos de regrinhas básicas da boa convivência. Na sua vida não deve ser diferente. Todos os dias, transitamos por corredores, subimos e descemos escadas, pegamos elevadores. Existe etiqueta para circular pela cidad...

Rota Brasil

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Mar... metade da minha alma é feita de maresia (Sophia de Mello Breyner) As longas viagens de carro são essencialmente filosóficas. Não por acaso Hollywood percebeu que rodar – literalmente – uma história poderia ser uma grande sacada. Os norte-americanos são privilegiados como os brasileiros, ou seja, eles têm todo um quase continente para explorar em duas ou quatro rodas, o que torna o apelo cinematográfico infalível. Já pensou se a gente morasse na Argentina (não, tudo bem, vou pegar um exemplo menos polêmico) no Chile, vai. Que bobinho...No máximo em cinco anos – olha que eu estou fazendo uma conta para quem não tem lá muito espírito de aventura - a pessoa já teria varrido a terra natal de ponta a ponta, conhecendo tudo o que há de belo, excêntrico ou imprescindível. Chapada Diamantina - BA Ainda bem que a gente é brasileiro e precisa gastar umas duas encarnações para dar conta de cruzar o país e ver tantas maravilhas. Eu que viajo desde pequena – minha mãe também tem uma ...

Minhas férias

Que me perdoe a Conceição de Freitas e todos que amam Brasília ardorosamente, mas o que fazer nestes dias de férias nesta cidade-fantasma sem pensar em algumas formas de suicídio? Eu que sou brasiliense tenho vontade de dar uma de francoatiradora no shopping só para experimentar um pouquinho de emoção. Caramba, mas que lugar tedioso é a capital. E com esta chuva que parece não dar trégua – e eu gosto de chuva – acho que o governo local precisa pensar na criação de campanhas “acredite na vida” como as que eu via lá em Nova Iorque na época desesperadora do inverno. Tenha dó, have mercy my God, mas só em Brasília alguém poderia ter escrito um verso como “Tédio com um T bem grande pra você!” Entendo perfeitamente a melancolia profunda do Renato, o meu ex-vizinho, o Russo. Pois é, hoje moro no bloco em que ele viveu e compôs uma boa parte de suas letras mais raivosas. Estamos encerrados pelas mesmas paredes do “saco cheio” que é Brasília em janeiro. Tá bom, não quero incentivar a mortan...

Ensina-me a viver*

“O mundo do cinema tornou-se um lugar melhor depois de Cantando na chuva”**. A frase não é minha, mas quem dera fosse e, afinal, quem pode discordar? Ainda mais quando 2009 está batendo na porta pedindo licença para entrar. Aliás, quando esta coluna for publicada já estaremos no dia 04 de janeiro. O que eu queria mesmo era escrever um texto do bem, alto astral e carismático nos moldes de Cantando na chuva. Como publicitária de porta de agência acredito em frases feitas e boto fé na primeira impressão é a que fica, no primeiro sutiã a gente não esquece e na química a serviço da vida. Então, estava a fim de trazer um papo legal aos leitores do blog para que todos me amassem assim, logo de cara, e 2009 começasse em paz e transbordante de otimismo. Entretanto, ao contrário do que define a personalidade do meu signo no horóscopo chinês, eu não fujo de briga. Devo ser uma javali fora dos padrões, pelo menos de acordo com o livro que li ao esperar uma garrafinha de água no café da Livrari...

Questão de mérito

Com a consciência um tantinho pesada de ter declarado publicamente gastos astronômicos em apenas um dia na crônica do domingo passado, estava conversando com o meu primo por email e ele me disse: “pare de afirmar que você não é uma destas burguesas fúteis porque eu já sei disso”. Sim, ele sabe, mas e os outros milhares de leitores? Posso ter perdidos muitos fãs naquele dia. Na mesma troca de correspondência, o primo brincou com a minha reclamação trabalhista: resumir, durante as férias forenses, em uma única matéria, dez decisões importantes de cada ministro do STJ. “Minha cara, tem que ganhar muito bem para fazer uma chatice destas”, ele arrematou. Sabe, até que não acho chato, mas concordo que o juridiquês é de lascar. Os temas às vezes são muito bons, as questões jurídicas intrigantes, as decisões apaixonadas e até revoltantes. Ou seja, tem um bocado de emoção envolvida, mas precisava ter tanto jargão broxante? Tira todo o clímax da história. E para recuperar a “beleza” e impo...