Delicadezas e silêncios
A escritora norte-americana Katie Kitamura afirmou, numa entrevista publicada em 19/7 no O Globo, que “vivemos tempos de carência de sutileza”. Sem dúvida, os tempos são brutos. Tudo é explícito ao nível do pornográfico nestas redes sociais. Ostentação e superficialidade agressivas. As pessoas perderam o pudor de se mostrarem rudes, mal-educadas. A empatia saiu de cena. Em contraste com este comportamento árido, temos os gatos. Conviver com eles me dá a oportunidade de aprender com o minimalismo. Eu, tāo barroca, afeita ao exagero, preciso me conter para que eles se sintam à vontade, para que se aproximem. Gatos não curtem movimentos bruscos, barulhos, excessos. São seres comedidos por natureza. Preferem contatos lânguidos e lacônicos. Grandes mestres do etéreo, da leveza e do toque sutil. Eles se aconchegam com precisão em nossos corpos. Não invadem o espaço de ninguém. Tateiam e preparam o terreno antes de pedir passagem. Aos humanos resta entender que a liberdade é irrestrita nos af...