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Socorro, sou preconceituosa!

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Pensei trilhões de vezes antes de começar a escrever esse texto. Tive medo de mim mesma, atestar meus demônios, minha falta ou pequenez. Tive medo também do julgamento dos outros. Os outros estão tão escrotos ultimamente. O ringue armado no Facebook. De longe, tudo é possível e, de perto, ninguém é normal.  Descobri que estou aquém dos meus anseios de pessoa aberta e descolada em todos os aspectos da vida. Sim, eu alimentava certa desconfiança de que não era evoluída a ponto de ser totalmente livre. Porém, comprovei a tese no dia de ontem. Tenho, afinal, amarras morais e sociais. Quem não tem? Alguns espíritos indômitos e profundamente desapegados de qualquer conexão com as demandas planetárias. Ainda quero conhecer um desses indivíduos.  Mas eu, euzinha, percorro claudicante o caminho do não julgamento, caindo sempre na armadilha do pré-julgamento que se confunde, muitas vezes, com o preconceito. Admito: há muitas fronteiras a explorar.  Estava a ca...

Tá servido?

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                                                       Quando eu era menina                                                                                  bem pequena,                                                ...

Com limão, mas com afeto

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Todo mundo guarda uma lembrança do Dia das Mães. Recordações hilárias, tristes, doces ou traumáticas. Não existe uma data tão avassaladora quanto essa. Porque mãe, vamos combinar, é uma entidade; uma deusa capaz de provocar a mais perfeita devoção ou o mais dilacerante ódio. Não tem essa de mais ou menos, quase, talvez, quem sabe. Mãe não é relativa. Para o bem ou para o mal, a maternidade é o estado absoluto da criação.  Segunda pós Dia das Mães é dia de contar os sobreviventes, mortos e feridos do domingo especial. A mãe da adolescente de 13, conta que o seu dia foi “o pior dia das mães da minha vida”, pois a filha deu piti dentro do restaurante, se esquecendo de quem era a dona da festa, muito pelo contrário: culpou a mãe por todos os males de sua incompreendida vida juvenil. Nada mais trivial nessa relação tão delicada e conturbada entre mãe e filha.  A outra, mãe de uma garotinha de oito anos, recebeu todas as flores arrancadas do jardim transformadas em...

Fazendo a cabeça

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De repente todo mundo sorria para mim. Alguns falavam comigo com a leveza de um dia de férias. O que está acontecendo? Entrei num comercial de margarina por engano? Era uma quinta-feira, supermercado. Um dia como outro qualquer, não para mim, pois aniversariava meu primogênito. Mas estaria eu transparecendo a felicidade de ter um filho? A magnitude de vê-lo entrar na adolescência e ter o privilégio de sabê-lo um ser humano mais interessante do que jamais fui?  Não, não era possível. Não encarno o tipo mãe-que-baba. Meus sentimentos maternos são discretos e contraditórios. A maternidade me enriquece e me debilita: gosto e desgosto. O amor profundo aterroriza e desestabiliza em rajadas incessantes. Todavia, ali estava a comprar batata-palha e molho de tomate para o cachorro-quente do pirralho; a escolher cebolas enquanto os olhares maravilhados caíam sobre mim como se eu irradiasse um halo de luz reconfortante. Logo eu, a eterna deslocada no tempo e espaço.  Não...

Para todo o sempre

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O debate interno dele que se reflete externamente... Uma hora brinca de corrida de saco e anda de quatro junto com os menores. No momento seguinte, senta com orgulho no banco da frente do carro e se olha no espelho retrovisor ajeitando o cabelo, que precisa ficar comprido e desalinhado, espalhado na testa. Diverte-se com Pokemóns enquanto tira “Eduardo e Mônica” no violão.  A gente de fora, no papel atônito de lidar com o novo ser humano que se avizinha. Ainda quer ser posto na cama, ainda toma banho com você, mas até quando? De repente está assoviando um rap. Um rap! E você pergunta: o que é isso, filho? E ele lhe mostra animado o vídeo de um tal “7 Minutoz” sobre o Demolidor da Marvel. Até quando ele não vai fazer segredos? Até quando essa inocência e a pronta vontade de atender ao pedido da mãe?  Sim, eles crescem. E crescem sem pedir licença. E doem neles e dói na gente essa belezura da adolescência. O mau humor típico dos teens de mãos dadas com a brinca...

Uma vida de cão, só que não!

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Apresentando Dodi! O amor incondicional intriga e emociona. Intriga porque não tem explicação e apenas quem é capaz de experimentá-lo consegue entender os seus mistérios. Emociona, pois é a raiz de toda gentileza e solidariedade. E é assim, repleta desse sentimento que não cria expectativa e se alimenta de atitudes, é que a colega Maria de Fátima Venceslau, da Seção de Informações Processuais (Seinp), abraçou o compromisso (com a discrição típica dos altruístas) de salvar cães e gatos em situação de abandono ou risco.  A brasiliense formada em Direito ingressou no STJ em 2002. Passou pelas áreas de distribuição, classificação de agravos, Sexta Turma, Corte especial, Seção de Documentos Administrativos e, há quase três meses, reforça o time da SJD. Fátima ou Fatinha conta que sempre foi apaixonada por animais: “Meu primeiro bichinho foi um cachorro, mas não tenho predileção. Gosto de todos, pois cada um tem seu jeito particular”.  Modesta, a nossa protetora de an...

Billy Elliot de Taguá

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Tendo a lua, aquela gravidade aonde o homem flutua Merecia a visita não de militares, Mas de bailarinos E de você e eu (Herbert Vianna) O que a Dança tem a ver com o Direito? Para Carlos, estagiário na Seção de Atendimento ao Cidadão (Seaci), a resposta seria: tudo! O novo aprendiz do setor é bebê também na idade, acaba de completar 19 anos, mas faz balé clássico desde os sete.  Brasiliense, morador de Taguatinga e estudante de Direito no Iesb, aprendeu a amar a dança na própria família e também na igreja da qual participa. “Eles ficavam entre o incentivo e o preconceito, mas aqui estou eu, fazendo aulas de balé até seis vezes por semana”, conta Carlos, que tira a discriminação de letra: “Gostaria de saber se existe um bailarino que nunca sofreu com isso. Sinto que é requisito para viver da dança, mas a verdade é que nos deixa mais confiantes, melhores”, pontua.  Acredite, porém para Carlos, o maior desafio do mundo do balé é lembrar a cor...