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A casa da vovó nunca é longe

Que legal deve ser ter avô, né? Eu me lembro de que eu quase tive um. Ele era o pai da minha mãe, um velhinho bem velhinho mesmo, que andava curvado, devagarzinho. Eu visitava a casa dele nos feriados e nas férias. Ele se chamava José e morava numa cidade com um nome de ave: Inhumas. Sabe onde fica? Perto de Goiânia. Meu vô José era conhecido com “Seu Zequinha” e eu falo que quase tive um avô porque ele foi embora, morreu, quando eu era mais ou menos do seu tamanho, Frederico. Daí que a gente não teve muito tempo para brincar, para rir e para aprontar mil aventuras juntos. Mas você sabe como é superdemais ter avô porque você tem dois! Dois!! Garoto sortudo, hein!!! E eles nem são bem velhinhos e ainda podem inventar uma porção de brincadeiras divertidas com você. Então, aproveita!! Aproveita e brinca muito com eles, com os dois avôs. Eles são amigos-do-peito de meninos espertos como você. E vão sempre estar no seu coração, mesmo quando você já não for mais um menino. Em 2005, esc...

Frota de submarinos

"O amor real passa por escalas físicas, psicológicas e espirituais para compreensão e integração com o sagrado" Platão. Meu marido me enviou um artigo do New York Times sobre aquele programa do canal Discovery Home&Health chamado John and Kate + 8. Para quem não sabe, é a história real de um casal na batalha diária para criar oito filhinhos que se encontram na primeira infância. Insanidade total. Eu nem gosto de assistir porque fico deprimida só de pensar na trabalheira daquela mãe. Mas, de vez em quando, eu resolvo dar uma espiadinha para recordar que a minha vida não é assim tão complicada. Afinal, só tenho dois guris pequenos. Ufa, poderia ser mais grave. Mas o artigo fala do sucesso estrondoso da série e também de uma possível crise no casamento dos dois. Parece que o marido, enfim, pulou a cerca. Digo enfim porque só consigo enxergar, aqui, aquela velha e boa piada do submarino: “Casamento é igual submarino: pode até flutuar, mas foi feito para afundar”. Since...

Comunicar para “cidadanizar”

“A empresa privada pode trocar de produto e de cliente. A pública não pode trocar de cidadão”. Assim o renomado professor e pesquisador francês Pierre Zémor instigou os participantes da palestra “Comunicação Pública – a experiência francesa” a pensar as particularidades de quem trabalha no setor para fornecer informações transparentes e didáticas à sociedade. A palestra aconteceu no auditório da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e contou com a participação de quem milita na área e valeu para conhecermos a evolução da Comunicação Pública na França e debateram semelhanças e diferenças do trabalho existentes entre os dois países. Pierre Zémor, que é pioneiro no estudo do tema e autor de vários livros referência, abriu a palestra enfatizando que Comunicação Pública é compartilhar, trocar informações de interesse coletivo produzidas por organizações investidas de missões que dizem respeito à sociedade. Exatamente por isso, o trabalho dos profissionais de Comunicação que ...

Neurotic short story

“Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia, toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia, úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria, sífilis, ciúmes, asma, cleptomania... E o corpo ainda é pouco” (Arnaldo Antunes) Cheguei adiantada para a aula de hidroginástica. Joguei-me numa poltroninha preta e fiquei esquadrinhando o ambiente à espera de entrar na piscina. Ao meu lado, uma senhora muito elegante, bonita, de sobrancelhas perfeitamente desenhadas puxou conversa: "você faz o quê?". Hidroginástica, respondi. "Eu faço yoga". Ah, eu também faço yoga, mas em outro lugar. Yoga é ótimo, né? "Eu não tenho coragem de entrar na piscina cheia de gente, tenho horror", ela confessou. Achei que era o momento de mostrar para ela que a gente pode superar traumas e dei o meu testemunho edificante: Eu também tinha esta prevenção com piscina, por isso resolvi fazer hidroginástica. "O meu médico até me recomendou, mas eu já fui falando para ele “qualquer coisa, menos p...

Vamos falar da boa convivência?

Livros de etiqueta quase sempre se tornam bestsellers. Todos querem saber como se vestir para ir a um casamento, como se portar numa entrevista de emprego, como receber convidados em casa, o que falar ou o que não falar no primeiro encontro com o namorado(a). A preocupação com a postura no ambiente de trabalho e nos relacionamentos afetivos está na moda. Até para se corresponder via e-mail já existem regras de boa conduta, a “netqueta”. Sinal positivo de que o ser humano está numa contínua busca por relações mais cordiais e respeitosas com os seus semelhantes. Entretanto, nem sempre o que se lê nos livros acaba sendo aplicado no dia-a-dia. De vez em quando, na correria para chegar e sair de casa ou do trabalho (a vida moderna orientada pela opressão do relógio), nos esquecemos de regrinhas básicas da boa convivência. Na sua vida não deve ser diferente. Todos os dias, transitamos por corredores, subimos e descemos escadas, pegamos elevadores. Existe etiqueta para circular pela cidad...

Rota Brasil

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Mar... metade da minha alma é feita de maresia (Sophia de Mello Breyner) As longas viagens de carro são essencialmente filosóficas. Não por acaso Hollywood percebeu que rodar – literalmente – uma história poderia ser uma grande sacada. Os norte-americanos são privilegiados como os brasileiros, ou seja, eles têm todo um quase continente para explorar em duas ou quatro rodas, o que torna o apelo cinematográfico infalível. Já pensou se a gente morasse na Argentina (não, tudo bem, vou pegar um exemplo menos polêmico) no Chile, vai. Que bobinho...No máximo em cinco anos – olha que eu estou fazendo uma conta para quem não tem lá muito espírito de aventura - a pessoa já teria varrido a terra natal de ponta a ponta, conhecendo tudo o que há de belo, excêntrico ou imprescindível. Chapada Diamantina - BA Ainda bem que a gente é brasileiro e precisa gastar umas duas encarnações para dar conta de cruzar o país e ver tantas maravilhas. Eu que viajo desde pequena – minha mãe também tem uma ...

Minhas férias

Que me perdoe a Conceição de Freitas e todos que amam Brasília ardorosamente, mas o que fazer nestes dias de férias nesta cidade-fantasma sem pensar em algumas formas de suicídio? Eu que sou brasiliense tenho vontade de dar uma de francoatiradora no shopping só para experimentar um pouquinho de emoção. Caramba, mas que lugar tedioso é a capital. E com esta chuva que parece não dar trégua – e eu gosto de chuva – acho que o governo local precisa pensar na criação de campanhas “acredite na vida” como as que eu via lá em Nova Iorque na época desesperadora do inverno. Tenha dó, have mercy my God, mas só em Brasília alguém poderia ter escrito um verso como “Tédio com um T bem grande pra você!” Entendo perfeitamente a melancolia profunda do Renato, o meu ex-vizinho, o Russo. Pois é, hoje moro no bloco em que ele viveu e compôs uma boa parte de suas letras mais raivosas. Estamos encerrados pelas mesmas paredes do “saco cheio” que é Brasília em janeiro. Tá bom, não quero incentivar a mortan...