Saturno
O tempo singra e sangra perene, implacável. Torniquetes lhe fazem cócegas. Injeções de botox lhe paralisam em pequenas doses, mas as rachaduras do rosto e da alma seguem o caminho inexorável de suas próprias trajetórias.
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| Pulmão, pintura em tela de Malu Engel |
Chuva após longa estiagem
lente de aumento da limpidez sobre uma obra danificada.
As tempestades, estilete na mão de uma restauradora habilidosa da tela-vida
resgata a natureza combalida.
O que estava escurecido e manchado pela fuligem das queimadas,
camadas de poeira dura,
deserto craquelado
é lavado com o poderoso solvente das lágrimas celestes.
Opaco dá lugar ao brilho das cores orgânicas.
A obra de arte planetária recupera a vivacidade
respira.
A humanidade rebrota
Renascença.

Seres obscuros,
nas gretas,
grotas,
de costas
a esconder
a dignidade perdida
na vida
de rua, de viadutos
impuros
casulos de papelão
andrajos do caos
solidão
de marquise
concreta iniquidade
na cidade
indiferente.
absurda
enclausurada na amplidão
de verdes ruídos
e paredes caladas
O trovão soa
a pleno sol
a seca se infiltra nos meses
molhados
tudo ao contrário
objetos expressivos
pessoas neutralizadas
adjetivos deslocados.
Aperta um nó sem girassol
da cor de seu vestido.
Vou ver se o Lô tá lá
na esquina
fantasma.

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Amo! 🥰
ResponderExcluirMa-ra-vi-lha🩷🩷🩷vou tb ver se vejo o Lô na “esquina fantasma”
ResponderExcluirCynthia🦋
Muito lindo, Lu. Foi curto. Continuei a leitura e depois era o Renascença. Muito bom!!!!!
ResponderExcluirAna Cecília
Gostei do último poema em homenagem ao Lô Borges.
ResponderExcluirElisabeth Ratzer