Verão Pluviométrico
a garoa umedece a rua
Lenta maestosa
sutileza da natureza.
Olhares trocam notas
jocosos, fios de cabelo
desafinam nos andantes
rápidos, expressivos.
Nada ordinária
fina e gélida
chuva rara.
Noite em que o céu canta
pianíssimo.
O vazio do ninho na casa de um músico é duplamente desabitado. Pois a música, em si, é outro corpo, mais material do que o próprio instrumentista. O som do instrumento ocupa todos os espaços, reverbera em todas as paredes, entra involuntariamente pelos ouvidos de quem ali está.
É uma presença sólida, maciça, quase uma personificação. É impossível ignorar sua estatura.
Espectros dos grandes mestres vêm abençoar as mãos do jovem artista, que perpetua as lições centenárias.
Muita energia, vários fantasmas povoam os ambientes, auras melodiosas.
E quando o músico não está em exaustivos estudos, lava a louça ou toma banho ouvindo suas escolhas: Bach, Beethoven, Rachmaninoff, Mozart, Egar.
Até à piscina não falta uma cantata ou ópera.
Palestrina, Carlo Gesualdo, Zelenka, Lully, Charpentier, Carl Philipp Emanuel Bach. Descobrimos, involuntariamente, a existência de outros talentos das partituras.
Ah, elas, sempre espalhadas pelas superfícies. Indomáveis.
Por isso o vazio de um instrumentista em seu quarto se faz notar com mais volume.
O paradoxo está no silêncio, um contraponto desentoado.
Leva-se um tempo para lidar com o descompasso,
para que a falta das notas constantes seja assimilada pelos que ficam.
Nada posso fazer além de permitir que os fantasmas descansem,
que as sinfonias se calem.
Foram dias intensos.
Em breve o músico retorna para nova temporada.
Espera, esperança.
Aniversário é engraçado, né? Na véspera, uma certa ansiedade. No exato dia, uma chuva de atenção e de carinho. No dia seguinte, ressaca emocional e silêncio. São os 15 minutos de fama de 24 horas por ano.
Tem decisão judicial que eu reviso que dá enjoo, não pela matéria ou pelo pelo teor do que foi acordado, mas pelo estilo mesmo. É tanto “noutro giro”, “por outro lado”, “de outro modo” e “outrossim” que me sinto numa roda gigante descontrolada e, na possibilidade mais bacana, numa gira de Candomblé/Umbanda. 

Suave é a noite desta sexta. Absorta admirando o céu se recolher, não percebi a dileta companhia que ali estava. Como podem os gatos agirem em tamanha surdina? Minha jugular ao alcance de suas garras e dentes. Presa facílima, morreria de olhos abertos para o infinito.

Esta minha amiga escreve e descreve lindamente. TOMAS É O MAIOR PRESENTE, o músico de sucesso que veio pra arrasar. Com certeza o mundo vai falar desse Flautista especial. Beijos
ResponderExcluirAmo vocês
Lindos textos Lu🤗 e que flagrante maneiríssimo do Rômulo, meditando em sua clarineta!!!
ResponderExcluirCynthia🪷
Oi Lú, muito bons, sempre poéticos.
ResponderExcluirAdorei o do aniversário.❤️😘
Renata Assumpção
O que você é está nos seus textos e em nossos corações também, No seu niver, vc estava radiante, alegre, bronzeada, uma gata. Sortudo o Bernardo 😉
ResponderExcluirOieee!!!
ResponderExcluirAs vezes demoro para ler, mas sempre adoro. Que foto do Romulito! O vazio do instrumentista em seu quarto se faz notar com mais volume. Demais! Ótima a do aniversário. Não é que é mesmo?
Beijo.😘
Tânia Benn
Sempre maravilhosa! Os fantasmas também devem estar ansiosos pelo fim do silêncio!
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