Natureza morta?
Ela flagrou a morte da flor. No momento em que abriu a porta do apartamento, lá fora chovia, era noite. A flor morreu na frente de seus olhos cansados. A espádice amarela saltou da proteção do manto branco para o vazio, como se pulasse de uma ponte. Um leve barulho oco sobre o centro da mesa e o lírio do Nilo tombou, sem vida. O copo de leite derramado... A moça correu a acariciar a elegante calla branca recém-falecida. Era a primeira vez que aquela casa recebia uma flor daquele porte: alva, misteriosa, empertigada. A sala ganhara uma suavidade nunca imaginada. Teria sido seu olhar cansado pousado sobre a flor a causa de sua morte súbita? Mau olhado pode acontecer sem querer... A empregada levantou outra hipótese metafísica e já foi se desculpando: será que coloquei energia negativa quando troquei a água do jarro, mas eu não tenho dessas coisas?! Todavia, o fato jazia: a Zantedeschia sucumbira. Permanecia branca, embora sem leveza. Estranhamente era como s...