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Leitura obrigatória

Tá certo,vou admitir: a Luana Piovani é mais inteligente do que eu pensava. Além de escultural, novinha, sexy, também é dona de boas respostas. Pura covardia! A menina deu um show na entrevista da revista Monet, que, aliás, é uma publicação excelente para quem curte cinema, TV, séries, cultura pop, cartoons...Leio de cabo a rabo e sempre me divirto. Nesse mês, eles fizeram uma lista dos 100 melhores desenhos animados “de todos os tempos” e foi muito gostoso poder relembrar Corrida Maluca, Formiga Atômica, Manda-Chuva, Os Flintstones (para mim o BamBamBam, sem trocadilhos) A melhor parte foi compartilhar a leitura com a minha cria, que também pôde conferir alguns de seus desenhos “favoritos” ali na lista. Passado e presente juntos. Ele reconhecendo os dele e conhecendo os meus e vice e versa. Scooby Doo ficou em primeiro lugar. Pode haver controvérsias, mas é sintomático o fato de o meu filho de cinco anos se amarrar nessa turma como eu também gostava quando tinha a mesma idade. Po...

Um novo Big Bang

         Não gosto de ser ave de mau agouro. E apesar de cultivar um certo pessimismo em relação à Humanidade, especificamente à humanidade dos brasileiros, fico muito chateada quando alguma teoria mal humorada que formulo se comprova verdadeira. E desta vez aconteceu tão rápido que me assustei com a minha própria boca de sapo.           Na quinta à noite, eu assisto à reportagem do garoto “herói” dos EUA. Ele leva a irmã mais nova e o celular da mãe para o banheiro e liga para polícia pedindo ajuda porque ladrões invadiram sua casa. Os bandidos arrombam a porta e, quando percebem que o menino conseguiu avisar os policiais, fogem sem machucar ninguém.  Digo para o meu marido: “Se fosse aqui no Brasil, eles teriam atirado na cabeça das duas crianças e dos pais dela e, aí sim, fugiriam. Aqui, ninguém se lixa para a vida alheia porque não dá cadeia. E se der, será por pouco tempo. Afinal, pra que...

“Museu de grandes novidades”

Ultimamente, os versos de Cazuza em “O tempo não para” não me saem da cabeça. Acho que nunca uma música foi tão atual como essa, o que prova o poder do artista como sensível observador da sociedade. Sei que há muita gente que odeia Cazuza. Já recebi emails ofensivos sobre o compositor, citando que o cara era filhinho de papai, drogado, gay, promíscuo. “Se assim não fosse, não teria morrido de Aids, a doença dos perdidos”. Mas, na verdade, o que temos a ver com isso? E daí se a vida dele foi o que foi? O que importa é o valor do cara como artista. E como artista ele é mágico, versátil, inteligente. Assim como outros tantos gênios criativos que também morreram drogados, prostituídos e muitas vezes incompreendidos. Nestas férias rolou uma discussão entre a galera que estava compartilhando a casa de praia: quem foi o grande poeta do rock brasileiro? Cazuza ou Renato Russo? Meu marido votou no Renato, o amigo dele em Cazuza. Eu fiquei, digamos, dividida. Aliás, sem ter conhecimento técn...

Era pra ser uma manhã como as outras

Ela sai da cama na marra. Não, ela não é dorminhoca, pelo contrário. Inveja os que avançam pelo sono durante a manhã. Mas ela precisa. É hora de começar uma rotina de caos: aprontar dois meninos e ela própria para a lida do dia. Colégio, trabalho, café da manhã, lanche, uniforme, choro, chateação, escovar os dentes, lavar as mãos, colocar tênis, trocar o cocô do mais novo, que ignora o vaso sanitário, gotinhas homeopáticas... Ela pensa: um dia terá saudade de tudo isso? Tudo isso é realmente inesquecível? Ou traumático? Não cansa de achar que tem algo errado com a ordem do universo...Por que as mulheres inventaram esta tal emancipação?... A grana no fim do mês é boa, mas fazendo as corretas deduções emocionais, não há lucro. Perda no mais das vezes. Empate se o parceiro for humano o bastante para saber que o fardo precisa ser compartilhado. Não são nem oito horas e parece que o dia está na metade. Ela sai pela porta esbaforida, quase descabelada, cheia de coisas nas mãos: chaves do...

Ilha Paviloche

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Florianópolis tem praias e recantos para todos os gostos e bolsos e isto não é clichê. Eu sei que vocês já devem ter lido esta mesma frase em alguma matéria de revista de viagem, mas não pude evitar a exata constatação. Santo Antônio de Lisboa Tem argentino brotando da terra como erva daninha também. Em Canasvieiras, uma grande feira do Paraguai, ops, da Argentina a gente não sabe se existem mais quinquilharias para abarrotar os turistas ou argentinos a gritar pelas calçadas em bandos, como gralhas tostadas pelo sol. Comecei a pensar que o estrangeiro ali era eu e que estava nas férias erradas. Não sou xenófoba, já escrevi esta sentença aqui também (acho que hoje estou muito repetitiva), mas seria um tantinho legal se a prefeitura de Floripa ou a secretaria do meio ambiente e turismo fizesse uma campanha a cada verão com o tema: “Salvem as areias finas e brancas das praias catarinenses dos tocos de cigarro!!!!” Argentinos...êta povo que fuma! E depois espalha seu vício por to...

Verborragia sem pedir licença ou “Para não acharem que sou só frivolidades”

Quando querem transformar dignidade em doença, quando querem transformar inteligência em traição, quando querem transformar estupidez em recompensa, quando querem transformar esperança em maldição: é o bem contra o mal, e você de que lado está? Legião Urbana Falar em ética jornalística, ética médica, ética política é reduzir o conceito ético e permitir, algumas vezes, condutas um tanto reprováveis em nome da classe, da corporação, do grupo. Por isso não acredito em tipos de ética. O valor-ética, o padrão-ética, a postura ética é uma só, pois esse é um conceito que faz parte do âmago da vida social. Se não fôssemos humanos, se não nos organizássemos em comunidades, não haveria a necessidade de conduzir nossas ações pelo viés moral da ética. É lógico, e vivenciamos isso todos os dias, que o fato de vivermos em sociedade não nos impede de sermos antiéticos o tempo todo. É quando a força fala mais alto. A força política, jornalística, médica que surge quando usamos o poder de coerção, ...

Pé de pato, mangalô, três vezes

“bailam corujas, pirilampos, entre os sacis e as fadas e lá no fundo azul na noite da floresta, a lua iluminou a dança, a roda, a festa..” João Ricardo e Luli Via o prazo final para o envio do texto se esgotar e continuava no vácuo criativo. Escrever sobre o quê? Se pelo menos eu fosse uma versão feminina do Veríssimo e soubesse imprimir humor e reflexão nos assuntos mais sem graça, estaria salva. Aí, de repente, abro minha caixa de mensagens e encontro um recado da amiga paulistana: “Halloween é o cacete/Viva a cultura nacional”. Pronto, num passe de mágica típico das fadas, o tema se apresentou. Primeiro levei um pequeno susto, afinal esta minha cara companheira de estrada é das pessoas mais finas que eu conheço. Eu acho que nunca a vi xingando ninguém. Mas também sei o quanto ela é brava com a história do halloween . Ela vive promovendo o Dia do Saci e uma das óperas favoritas dela é, claro, “O Guarani”, do nosso Carlos Gomes. Mas brigar contra o Dia das Bruxas não é uma brig...