Aguardo a sessão de terapia no segundo andar de um prédio com funcionalidades mistas, ou seja, pessoas vivem e trabalham por aqui. As portas estão fechadas. O corredor não é grande, quase familiar. Os únicos objetos a quebrar a monotonia do espaço são os capachos. Cada apartamento, cada sala tem a sua cara: a face estampada no tapetinho ao pé da entrada. Um convite, uma recusa? Pelo capacho é possível intuir a personalidade de quem habita ali detrás? O que os objetos que escolhemos falam de e por nós? Lar doce lar um lar, um porto seguro, abrigo onde se reenergiza com cores quentes e alegres. É jovial, otimista. Não abre mão de ficar em casa, arrodeado por memórias e por quinquilharias. Aldeia global Inquieto, vive no entre, between . Almeja chegar apenas para poder partir. Na verdade, parte ao entrar pela porta, aporta ao viajar. “Seu lar é onde estão seus sapatos.”* mas fique pouco tempo Polido, discreto, convencional. Recebe as visitas com contida simpatia. ...
Tem coisa que só acontece comigo. Afirmação carregada de estrelismo de uma ascendente em Leão. Reformulemos. Tem coisas que acontecem com muita gente, mas nem todas elas percebem a “graça gratuita das nuvens” nelas contidas. Não melhorou muito em arrogância. Hahaha. Acabei de ler a coluna da Bia Braune, na Folha de SP, e fiquei morrendo de inveja dela porque, além de escrever colunas para a Folha, ainda encontrou um caderno mágico de 1922, com memórias de uma tal Glorinha, na caçamba de entulhos na sua rua. Na caçamba da reforma da minha futura casa só encontro entulho mesmo. Sacos de cimento vazios, pedaços de tubulações, plásticos vários e galhos podados de um jardim confuso. A maioria destes resíduos são jogados ali pela pessoa aqui, inclusive, uma vez que os pedreiros parecem não ligar para a bagunça ao redor. Vão deixando o rastro de destruição se acumular, o que para mim, detentora de um certo TOC, causa agonia exasperante. Mas, deixemos os pedregulhos e falemos de fatos intrigan...
Já havia escrito sob a perspectiva do meu nariz (postado por aqui). Folheando um dos caderninhos de anotações miles, esbarrei com um texto incompleto do ponto de vista do meu cotovelo. Tratava-se de um exercício proposto pela poeta Sara Melo num dos encontros do projeto "Literatura a céu aberto" que compartilho com vocês. Não entendi. Até ontem não compreendia minha existência para além das metáforas de amor desiludido. Dor de cotovelo, a mão a segurar o queixo acima da mesa, o peso da cabeça, quase cinco quilos, dizem. Foi então que me vi imóvel, estatelado sobre o asfalto áspero e quente do meio-dia. O que estaria fazendo ali, naquela disfuncionalidade exótica? Literalmente no chão, lugar incomum para cotovelos. O corpo que me contém estirado no betume. Logo eu, um cotovelo audaz e pleno, de repente inerte. Lutei para agir, mas apenas sentia o tilintar de cacos de vidro. Meu mecanismo espatifado, esmigalhado. Chocalho de ossos diminutos. Emperrei, engastalhei em mim mesmo...
Uau, poetando também?! É um sinal de algo... O que será?
ResponderExcluirAna Cristina Aguiar
Simples e profundo!!!! Que sonho heimmmmm!!!!!
ResponderExcluirMarina Caldana
MISTÉRIO!!!!!!
ResponderExcluirAmbrosina Militão
Se até moléculas já foram descobertas em sonhos, porque não uma poesia? https://web.chemdoodle.com/kekules-dream/
ResponderExcluirKekulé’s Dream | ChemDoodle Web Components
In 1890, at the 25th anniversary of the benzene structure…
WEB.CHEMDOODLE.COM
Bernardo Mello
Belos versos,,, poesia concreta da melhor qualidade!!!
ResponderExcluirCatarina França
Você escrevendo para você. Amei!
ResponderExcluirÂngela Maria Sollberger
Acho que você está é muito sã!
ResponderExcluirMarisa Reis