Antes que janeiro termine
Pare, olhe, escute. como se esperasse o trem. Desligue o motor do carro, da mente, do celular. Aguarde. Ouça o deslize das nuvens. Precisa silêncio de peso para notar a leveza. Stop como os americanos para não levar multa. Pise no freio e mire lentamente para os lados, para o alto, para além. Suspire. Não corra. Não morra antes de viver. algo incomoda. um cílio na retina pedrisco no sapato. Incomoda a janela daquela casa sempre fechada. o silêncio do abandono. a loucura do incompreendido. Algo. A indefinição incomoda. Um não sei quê um trem sem Minas uma coisa um enrosco sufoco inominável pagão sem certidão incomoda. Alguma falta nenhuma presença entre um vão e um degrau Incomoda a inércia. A letárgica agonia incomoda o pleno nada a vida plana insidiosa insossa vaga acomodada incomoda. Entrei numa de Vanessa da Mata: tomei um banho de chuva, aliás, um temporal de verão. No início rola um certo desconforto, o frio dos pr...