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Enfim!

Cheguei! Atendendo a pedidos - que se contam nos dedos :) - me rendi ao blog. Acho que é o destino natural de quem gosta de escrever e aparecer. Lógico que tem um monte de gente blogando por aí que só gosta mesmo é de aparecer, mas também tenho a pretensão de poder escrever coisas legais para não ficar entulhando a web de lixo. Abaixo os pneus velhos, as latas e garrafas plásticas! Na minha rede, o mar é pra lá de ecológico. E se quiserem colocar a culpa em alguém, coloquem na Julie. Foi ela, com aquele filme inspirador, o "Julie&Julia", que me fez compreender: "EU TENHO IDEIAS!" Se são boas ou não, vocês vão me contar. Vocês serão o meu termômetro, combinado? Nem acredito que estou aqui, apanhando na ferramenta, ralando para fazer do computador um amiguinho camarada. Mas agora já fui. Não dá mais pra voltar atrás. Apertei o botão (ainda bem que não é o da bomba atômica). Por esse lançamento, agradeço totalmente ao maridão. Sem o cara no meu pé de sereia, nã...

Conhecer para reconhecer a si mesmo

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A curiosidade leva por um lado a escutar às portas e por outro a descobrir a América. Eça de Queiroz Viajar é a melhor maneira de você gastar o seu dinheiro. Depois da aquisição do seu lar doce lar, é claro. (Não quero incentivar ninguém a viver eternamente pagando aluguel). Mas, como eu ia dizendo, não tem investimento mais saudável do que conhecer novos lugares. É um verdadeiro reset na cabeça (roubei a analogia de uma amiga). Viajar para Portugal, então, eleva o seu gasto à categoria de lucro certo. Pena que muitos brasileiros chegam a visitar toda a Europa, mas nunca põem o pé na terrinha. Entretanto, não sabem o que perdem em História, beleza e compreensão da nossa alma lusa. Porque, quer queiramos ou não, somos essencialmente portugueses. Praça do Comércio - Lisboa Quando pisei em Lisboa, descobri o quanto era ignorante em relação ao país que nos colonizou. Falha do nosso sistema educacional que privilegia a queda do império Romano, o estudo da Mesopotâmia e dos egípcio...

Não seja por isso

Sei que as pessoas estão pulando na jugular uma das outras. Sei que viver está cada dia mais dificultoso. Mas de novo vos digo: sejamos delicados. E, se necessário for, cruelmente delicados (Affonso Romano de Sant’Anna) Talvez não seja o momento mais adequado, quando o país pega fogo literalmente. Esse clima selvagem, com a seca a maltratar nossos corpos de norte a sul. Acho que nunca vi o Brasil sofrer tanto com a estiagem. O fim dos tempos parece cada dia mais palpável. Nossos desmandos contra a natureza também. Mas o que mais me aflige atualmente, apesar de estar rogando a Deus como uma sertaneja pra chuva cair nesse sertão, é a indelicadeza sistematicamente crescente das pessoas. Não sou a única a perceber tal fenômeno atmosférico, ainda bem. Sinto em alguns textos (e em alguns incautos) a preocupação em resgatar o que há de humano na espécie. De quando em quando, a gente vê um adesivo no carro que pede gentileza. Uma crônica que nos faz sonhar, um obrigado desavisado, um ...

“Aquele que não deve ser nomeado”

Li numa manchete de O Globo que a campanha eleitoral 2010 não está empolgando a classe artística e nem as celebridades. Por acaso está animando alguém? Desde que vivemos nessa democracia do voto popular, que não é lá muito democrática - se pensamos na obrigatoriedade de sair de casa para eleger representantes que acabam não nos representando - eu não sentia tanto desprazer por uma eleição. Bons tempos aqueles em que, com cara pintada e faixa na mão, fomos para a frente do Congresso Nacional pedir o impeachment de Collor. Também fomos para a porta da mansão dele xingar com a paixão da juventude que estava se firmando como cidadã. Linda passagem da vida também aquela da primeira posse de Lula, a Esplanada coberta de povo. O choro incontido de eleger um presidente pra chamar de nosso. Bandeiras agitadas, abraços nacionalistas. O Brasil todo embalado numa esperança fervorosa. Também não me esqueço do voto orgulhoso para Cristovam Buarque. Lá estava eu na porta da residência de Águas Cl...

Louca por tempestades

Você já experimentou a velhice chegando a galope na sua vida? Que pergunta mais besta. Quem é que deseja uma coisa dessas? Mas às vezes é involuntário. Acontece. Eu não queria, juro, mas fui obrigada. Uma pseudogripe não me abandonava há mais de mês. Decidi, pela primeira vez, procurar um otorrinolaringologista. Dor de garganta não faz parte do meu histórico médico. Ainda bem. Minhas amígdalas não foram extirpadas como foram de tantos da minha geração. Não pude tomar potes de sorvete para me recuperar da cirurgia, tratamento que me dava uma inveja daquelas. Mas eis que o meu ouvido direito começou a doer no meio da madrugada. Agosto em Brasília é mesmo um tour de force. Deveriam dar férias coletivas para toda a população. As aulas retornando somente “quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos”, ou seja, naquele momento em que a chuva, tão sumida, tão querida, retornasse para a salvação das vias aéreas superiores dos habitantes desse não regadio planalto central. Então e...

Para vencer o concreto de Niemeyer

Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho; Na palma da minha mão Quero ver você voando, quero ouvir você cantando; Quero paz no coração Quero ver você voando, quero ouvir você cantando; Na palma da minha mão (Geraldo Azevedo) Ele aparece escondido entre os arbustos, piando alto. Sua cabeça listrada de cinza e preto surge em meio ao verde vivo. “Olha aí, já está pedindo comida”, explica Roberto Teixeira Barbosa, 45 anos, segurança do Superior Tribunal de Justiça há 18 anos. Essa rotina se repete há mais de seis anos na portaria lateral do edifício Ministros I: passarinhos de várias espécies fazem do lugar um porto-seguro para procriação e alimentação graças ao talento de Roberto para interagir com os bichinhos. Roberto estala a língua e de repente já são dois tico-ticos. Ressabiada, a dupla vai se aproximando do pedaço de pão até dar a primeira bicada. Depois, é só alegria. “Eu comecei a conversar com eles, a chamá-los de nego... Eles foram chegando, chegando... Todo dia e...

Sem peso nem medida

Eduquemos os adultos de hoje, e teremos as crianças do amanhã. Pitágoras O pediatra dos meus filhos estava desconsolado. Comentava comigo que o maior problema enfrentado no consultório ultimamente era a permissividade dos pais. “As crianças dormem tarde, mandam na casa, os pais não têm tempo para viver a vida a dois, os meninos perdem horas importantes de desenvolvimento”. Com certeza ele sabe do que fala. Tenho uma amiga que reclama não ter mais controle sobre o controle remoto: “A gente não consegue ver mais nenhum filme. São dez da noite e ela ainda acordada”. Informação importante: a filha da minha amiga acabou de completar três anos. Três anos e tiranizando os pais. Que fenômeno maluco é esse que roubou a autoridade dos mais velhos? De uns anos pra cá parece que papais e mamães tomaram água envenenada com o pó da omissão. Ou terá sido leitura em demasia? “Como criar meninos”, “Como criar meninas”... Excesso de informações criou deseducação, embaralhou o pensamento. Ninguém m...