sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"Bitter Sweet Symphony"






Momentos de euforia, momentos de banzo. Quem passa pela experiência de estar exilado da terra-natal vive nesse revezamento olímpico. Para alguns, dura mais do que para outros. Não lembro quanto tempo levei da primeira vez para me sentir menos desconfortável nos EUA. A impressão é que envelheci para me meter nessa gangorra emocional. Sinto-me enfastiada como se já tivesse feito tudo o que eu precisava fazer: oba, as férias acabaram, vamos voltar pra casa? Sinal visível de rabujice como os cabelos brancos que insistem em aparecer sem serem chamados. Ainda bem que aqui na CVS Pharmacy você encontra um spray da Loreal que disfarça bem aquelas entradas grisalhas. Poderia existir um para disfarçar tédio e mal-estar.

Outro dia Tomás pediu que a gente colocasse música brasileira. Rosa Passos trouxe um conforto auditivo que fez bem até ao estômago, comida de mãe, mingau de maizena. Hoje fui eu quem corri para o spotify e tasquei Marisa Monte. Não podia suportar mais nenhuma narração esportiva em inglês. Deveria ter assinado a Globo para ver as Olimpíadas, vacilamos, mas não tivemos tempo para pensar sobre isso com um apartamento para mobiliar nas costas. Costas, elas andam bravas comigo nesse momento em que varrer, esfregar e lavar entraram no meu dia a dia. Mas os guris já estão devidamente adestrados para limpar o próprio banheiro. Guardam sua própria roupa e lavam as panelas. Trabalho infantil mais do que recomendado.

Hoje conseguimos, enfim, fazer a matrícula dos meninos no sistema público de educação de White Plains. Tivemos de preencher uns dez formulários diferentes, além de receber outras tantas informações que me deixaram mareada. O cérebro anda recusando a entrada de novos dados, dado o acúmulo de aprendizados recentes. Aos poucos, alguma rotina vai se assentando. Em breve, estarei fazendo minhas aulas de smart housewife: balé, coral e um cadiquim de inglês. Creio que a sensação de desconforto latente vai passar quando esses compromissos se tornarem parte da vida.

Todavia, sigo me perguntando como é que um brasileiro consegue atravessar a exitência nos EUA de boa, até feliz. Não é pra mim não. Abraço de gringo é sem graça. Não vou falar da comida porque seria chover no molhado. Pessoas que cultivam impecáveis jardins e os deixam abandonados, sem usufruir do prazer que eles proporcionam, me angustiam. Imagina a sofrência de Manoel de Barros com esse povo esquisito!!! A mãe de uma conhecida minha, que mora há anos na Califórnia, afirmou dias atrás: "os americanos não sabem viver". I agree with her.

Mas devo admitir que houve uma mudança significativa no comportamento social dos americanos brancos, heterossexuais, sempre no comando. Vejo mais famílias curtindo os parques do que em 2001/2002. Talvez a presença massiva de hispânicos, com postura mais gregária e extrovertida, esteja influenciando nesse ponto também. 

Falando neles, nossa vizinhaça é formada por latinos que vivem em multifamily houses, além de negros. Os poucos brancos da rua estão no nosso prédio. Somos uma ilha de brasilidade cercada de hispanicidade por todos os lados. Entre os formulários a ser preenchidos durante o registro dos meninos na escola, estava o de origem racial/cultural. Bernardo queria que eu marcasse hispânica. Oras, que ideia! Conversei com a funcionária, expliquei que não tinha background hispânico. Somos portugueses, africanos, indígenas, mas não cucarachas! 

Não me levem a mal, porém sou mais Pessoa do que Lorca, entende? O Português é meu grande amor. Nada posso contra a força da língua-materna. Engraçado como o orgulho e o patriotismo afloram nessas horas de desterro. A funcionária concordou comigo e respondeu que me entendia perfeitamente. Então marquei um X em outros, pronto.

Os guris já fizeram um amiguinho na Harmon street. É negro (aqui tem de falar black) e cheio de irmãos menores e maiores. Lembrei da minha infância nas ruas da quadra 715 sul. Minha primeira amiga era negra, Vanessa, com suas irmãs Cláudia, Elaine e irmãos: Gustavo e Márcio. Em White Plains, Tomás e Rômulo terão a oportunidade de conviver com a diversidade de etnias, de realidades menos burguesas do que a deles. Um aprendizado cidadão para todos nós.

Houve um hiato do começo do texto para o final. Saí para desfrutar da natureza e afastar a deprê que ameaça se instalar, logo na sexta, o melhor dia da semana! Aqui a gente passa fome (a inanição permanente provoca tristeza), mas os parques, ah, os parques, são redentores!

See you, hasta luego, inté!


* Título de uma canção do grupo The Verve




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Groundhog Day







Estava tudo azul na manhã de segunda a caminho do aeroporto JFK. Bernardones iria cruzar o país leste-oeste para uma conferência em Santa Bárbara, Califórnia. Deixei o rapaz no terminal 4 e apertei o GPS com destino casa. Pra quê...

Teve início a jequice do dia. Para evitar pedágios, o GPS me enfiou na Queensboro Bridge, a mesma que atravessamos para visitar a amiga Agnes no Queens. Peguei um puta congestionamento porque todo mundo quer alcançar Manhattan na segunda por volta das 9h30 am.

Fui fondo, fui fondo, seguindo o GPS pela FDR (Franklin Delano Roosevelt Drive) no sentido norte, mas, de repente, algum acesso fechado - sempre tem alguma coisa em construção ou reforma em NY - e o GPS começa a recalcular a rota. Você não pode ficar parada no meio do trânsito com a sua banheirona Subaru e não tem acostamento e não tem via de escape e não tem vaga e você perde a saída certa e, de repente, está voltando para o mesmo caminho da Queensboro Bridge.

Nessa eu fiquei umas três vezes, juro. Me senti personagem do clássico "O Anjo Exterminador", sem conseguir sair daquela ponte amaldiçoada. Legal que a vista de Manhattan é linda, mas a gasolina estava se esvaindo e não podia nem pensar em ficar sem combustível no meio do huge traffic jam!!
Driving in circles feito uma abestada e entrando em desespero, segurei o trevo de quatro folhas pendurado no meu pescoço, presente de Rosinha Encarnadinha recifense, e pedi ajuda aos anjos, à mamãe, à dindinha para sair daquele "Feitiço do Tempo" nada divertido. Afinal, não tenho o nonsense de Bill Murray e muito menos a beleza de Andie MacDowell. Saquei, devo ter sido escalada para ser a marmota! Elementar, minha cara otária!!!!

Quando imaginei que não haveria nada a fazer a não ser ligar para o friend Brian para vir me resgatar a brasileira sem noção à milhas de distância (coragem para pedir ajuda para americano cheio de dedos é foda), vi uma placa de sinalização indicando Albany I-87. Albany fica para o norte, é a capital do estado. É preciso passar por Westchester para chegar lá. Dei aquela guinada no banheirão, levei uma super buzinada do carro que vinha atrás, torci para não haver nenhuma viatura policial e me desembestei pela esquerda.

Quando divisei outra placa atestando que havia adentrado o Westchester County, soltei um urro. Mas quando vi a placa indicando White Plains, comecei a sorrir histericamente!!! Quase abandono o carro no meio da highway em surto digno de "Garota, interrompida". Só para constar: deveria estar em casa por volta das 10h30. Só estacionei na vaga ao meio-dia e tanto.

O dia que eu tiver um dia normal, terei de narrar um factoide, pois estou deixando vocês mal acostumados, não é verdade?

See you soon, hasta luego, inté!


sábado, 6 de agosto de 2016

Unforgettable night






Tô assistindo a abertura dos Jogos do Rio no delay. Os comentaristas da NBC estão gostando do que estão transmitindo . É engraçado ler no FB tudo o que já aconteceu e que eu tô aqui lutando pra permanecer vendo... O sono está grande, mas não posso perder a primeira e última Olimpíadas da minha vida no meu país. Acho que foi uma abertura digna. Bem melhor do que a da Copa, muito fake. Hoje foi mais brasileira. Afinal, quando o mundo pensou em testemunhar Gisele B. pulando de alegria, descabelando como qualquer mortal no meio da galera? Adorei!

"In Brazil, fun is contagious, joy is contagious. They did very well". Certamente, nosso maior patrimônio é essa espontaniedade afetuosa. Para uma menina que cresceu amando Jogos Olímpicos alhures, é arrepiante ver a primeira Olimpíada da América do Sul acontecer no Brasil (ainda que agora seja eu a estar alhures). Vida, sua irônica!

Difícil foi dormir com o nariz entupido ontem, depois da meia-noite, momento em que terminou a exibição da abertura dos Jogos do Rio pela NBC com um super delay (o canal tinha exclusividade de transmissão). Faltava aos narradores conhecimento de causa sobre o Brasil, mas foram simpáticos e gostaram do que viram. O The New York Times também: "The opening ceremony of the Games disguised Brazil’s wounds for a few hours and let the country celebrate its history".

Sim, a gente é especialista em esquecer a dor e celebrar. Fizemos isso lindamente ontem. Só a Frida me viu chorar no escuro da pequena sala. A entrada da bandeira olímpica carregada por Joaquim Cruz, um dos meus heróis esportivos, foi tocante. Assim como ver Oscar Schmdit bem, recuperado do câncer. Na minha opinão, excelente a escolha dos "carregadores". 

Depois, Guga adentrando o estádio com a tocha, trazendo a emotividade do choro, tão brasileira, me arrepiou toda. Hortênsia e Vanderlei Silva acendendo a pira, que justa homenagem!! 

O frio metal se transformando em verdes-vivos arcos olímpicos; Paulinho da Viola, nervoso, engrandecendo o Hino Nacional; Anitta, cantando bem e bem vestida ao lado de um alquebrado Gilberto Gil e de um sempre elegante leonino Caetano... E, por fim, o som umbilical das baterias de escola de samba, trazendo de vez meu coração para fora do peito, na melhor expressão da qualidade musical que o Brasil tem. 

Parabéns! Foi singela e apaixonante a abertura dos Jogos. Não nos pavoneamos, não demos passos maiores do que as pernas. Fomos humildes e criativos. Consequentemente, autênticos e gigantes! 


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

NYPD






Não sei se as coisas inacreditáveis acontecem comigo porque gosto de escrever ou se é porque a Lei de Murphy me ama. Anyway, tava aqui no apê atacando de diarista nesse verão insano enquanto aguardava o técnico da Verizon que viria instalar a Internet e a TV a cabo. 

Dou uma chegada na varanda e vejo um monte de carro de polícia ( a foto já foi postada aqui). Logo depois, estaciona o furgão da Verizon. Um branquelão de dois metros sai da van e eu aceno para ele. Ele acena de volta e brinca: espero que tudo isso (a polícia) não seja pra você. Eu digo: também não. 

Desço pra abrir a chatice da porta com senha. Estamos os dois na porta do elevador pra subir quando ela se abre e aparece uns cinco (dentre eles uma mulher) policiais super becados, na estica, uniformes impecáveis, armados, levando um cara algemado do meu prédio!!!!!!!!! 

O técnico da Verizon e eu ficamos deveras espantados, ele começa a trabalhar na instalação e resolve descer pra pegar outros equipamentos. Daí o cara não volta nunca e eu começo a me perguntar o que poderia ter acontecido. A van está lá embaixo closed and empty. 

De repente, o telefone toca e é o chefe do cara me dizendo que ele ficou preso no elevador. Não podia crer!!! Ligo para o número da emergência pregado no quadro de avisos, a atendente me faz esperar um bocado até me dizer que o help is coming. Só que o help nunca vem e o cara tá assando no elevador sem ventilação. 

Conversando através da porta, decidimos chamar os firefighters. Dois segundos depois, eles aparecem e salvam o cara - Fred - que sai do caixote pior que camarão, mas ainda bem-humorado , sei lá como. Resumindo: um dia de faxina pode se transformar num dia de Chicago PD e Chicago Fire, só que em NY! :)


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Miscellaneous


Impatients

Tatuagens, além de dogs, são excelentes maneiras de fazer amigos e conhecer pessoas aqui nos EUA. OK, não se anime com o conceito da palavra amigo. É mais um modo de falar e ficar engraçadinho. Digamos que você trava polite and nice conversations com estranhos quando tem uma tatuagem visível. Ainda mais se ela tiver um quê enigmático como o meu OMMM estilizado no ombro direito. Poucas pessoas reconhecem o que o desenho é. Então se aproximam perguntando, puxando um papinho. 

Foi assim outro dia no Home Depot, mais uma das megablaster lojas de ferramentas e apetrechos para deixar sua casa arrumadinha. Paraíso de Bernardo e Rômulo, que só faltam babar diante de tantas opções de chave de fenda, pra dizer o mínimo.

A jovem e americaníssima caixa elogiou a tatuagem e indagou: Beautiful! What is your tatto? Respondi e entabulamos uma conversa de cinco minutos. Tempo suficiente para saber que ela já tatuou o corpo 16 vezes! E eu timidamente com quatro... Mas as dela estavam bem escondidas, viu? Não divisei nenhuma. Ela também me revelou que pretende fazer outra. Uma homenagem aos avós:

- I want to draw "what a wonderful world", my grandfather favorite song with some impatiens, my grandmother favorite flowers, she said and I lhe dei todo o apoio. O melhor de tudo foi descobrir que o nome dessas florzinhas simpáticas que enfeitam nove dentre dez canteiros americanos se chamam Impacientes. Deve ser porque não esperam a primavera para florir. São sempre vistosas e alegres.

Confessei à garota de uniforme cinza e laranja que a minha primeira tatoo (o peixinho no tornozelo) foi feita aqui nos EUA, em 2001. E que farei mais uma agora, para celebrar o retorno. Só que não defini o que desenhar... Tenho algumas ideias, mas não consegui bater o martelo -  são tantos no Home Depot - sobre o tema e em qual parte do corpo ficará. 

Mamãe, que era um cadiquim desbocada, soltaria: mudando de pau para cacete. Sim, ela falava essas coisas, como se fosse uma menina trespassando um lugar proibido. Eu ficava brava com ela, mas hoje tenho é saudade diária de suas traquinagens. Pois, então, mudando de assunto, tem dias que a gente acorda com o maior gás; noutros, rola aquela lona. Hoje acordei zerada. Talvez tenha sido a faxina de ontem. O melhor amigo da housewife americana é o papel-toalha. Por isso já comprei um estoque. Aliado ao spray de Lysol, pronto: tudo limpim. Mas não sem dores nas costas, pois a mimadinha aqui já não fazia trabalhos braçais há milênios.

Levantei, pensei mais uma vez em qual recheio colocaria entre as duas fatias de pão forma... Os americanos não ligam para almoço. O jantar é a refeição da família. Haja criatividade para criar sandubas saudáveis, potentes e saborosos para os meninos todo santo dia.

Taí, Mario, você que é um legítimo entreprenuer - adoro essa palavra que Hillary Clinton tem usado bastante em seus discursos. É daquelas que a gente precisa enrolar a língua toda pra sair. No meu caso, que mal consigo pronunciar 33, é um desafio -, o que acha de a gente inventar uma franquia chamada Lunch Bag? Tô ficando craque nas misturas, os meninos vêm aprovando meus sanduíches. A gente colocaria nos saquinhos de papel pardo e coisa e tal... Daria pé?

Levei os meninos para o Summer Camp Day, Tomás esqueceu a camiseta específica de passeios fora da escola (os americanos e suas especificidades tão específicas!!!),tive de voltar, pegar a tal e retornar ao colégio. E a vontade de passar a marcha do carro e lembrar que é automático? Nisso, deu mais preguiça ainda de fazer qualquer outra coisa além de ouvir Beto Guedes, dormir e sonhar contando caso de como deve ser lumiar... Passar o dia moendo cana, caçando lua... Eita tempo bom esse da fazenda, da mamãe cortando cana. 

Domingo passado, matando saudades de Agnes, minha polonesa preferida, em dado momento ela quis saber: você acha que mudou muito, pois eu acho que não mudei nada com a maternidade. Respondi que a morte de minha mãe foi o que me mudou, não os filhos. Sei que há uma Luciana antes e uma Luciana depois desse evento definitivo e traumático. Agnes ficou espantada porque não tem muita ligação com os pais. Mas entendeu que eu, sim, era pretty closer to my mommy. Ela me disse que está perdendo uma tia por afinidade, a real angel, para o câncer, e não sabia o que fazer. Entendi perfeitamente a raiva e a impotência dela. 

Achei tocante Agnes me confessar sentimentos tão íntimos. Afinal, são 16 anos, porém dez mil quilômetros de distância. É bom ter amigos, mesmo que você precise usar uma língua intermediária que não é a natural para nenhuma das duas. Mesmo que tenhamos backgrounds completamente diferentes. Mesmo que eu chame o dragão da Cracóvia de dinossauro e ela fique zangada com minha ignorância sobre as lendas polonesas. Duvido que ela conheça o saci-pererê, oras! :)

See you soon, hasta luego, inté!


domingo, 31 de julho de 2016

Life is but a dream




5.25 da manhã. For the very first time in this adventure of living abroad again, ouço os primeiros early birds, trinados simpáticos nos dias que já se anunciam mais curtos... Logo, logo o calor e umidade dignos de Rio de Janeiro darão lugar ao divinal outono. Tive muitos sonhos interessantes durante a noite. Quando a melatonina funciona é assim: dorme-se menos horas, mas o sono é fecundo. 

Nas oniricidades pintaram a amiga Mônica (Marisa, não fique com ciúmes, pois você ainda é o meu alter ego onírico). Mas talvez a resiliência de Mônica seja mais carecida nesse momento. Ou apenas seja tudo culpa do livro que ela me deu um pouco antes da mudança:"A amiga genial". Um turbilhão de evocações infantis e seus sentimentos hiperbólicos. Maravilhoso para qualquer pisciana. No sonho de Mô, ela tinha um chevette psicodélico pintado com um sol que escorria raios do teto, abraçando toda a lataria. Será eu me despedindo do verão escaldante?

Sonhei também com meu chefe e a esposa dele. AugustoBoss e Cacau, pessoas que entraram mais recentemente na minha trajetória, porém já deixaram sua marca de amabilidade. Íamos pegar um amigo de Cacau no aeroporto, Augusto e eu. Na volta de ônibus, perdemos o ponto de descida no início da L2 Sul, ali, pelas bandas do colégio Santa Rosa. Chegávamos para o almoço suados e fazíamos uma ciranda em torno da mesa posta. Acordei renovada e com uma urgência de escrever que só os escrivinhadores compreendem.

Queria registrar que os EUA não são mais aqueles que deixei há 15 anos. A latinidade explodiu por aqui. Posso passar 1 ano e meio no país sem falar uma palavra de inglês e ser entendida. Boa parte das lojas tem cartazes de ofertas em espanhol. Intrigado, Bernardo refletiu:"todo mundo no Equador deve conhecer alguém que mora aqui, afinal, qual é o tamanho do país para se ter tantos morando em Nova Iorque?" Todavia, seguimos sem ser confundidos com eles. Nosso sotaque falando em English é bem diferente. Eles permanecem vivendo em guetos, só que cada vez maiores. A TV aberta oferta dezenas de canais na língua hispânica, a cable TV, idem.



Se você vai subindo rumo ao norte, os preços das casas nas belas vilazinhas também vão. Os cuca, obviamente, rareiam. As melhores garages sales estão nesses lugares. Excelentes produtos do legítimo American way of life por pechinchas. Ontem garimpamos uma especialmente boa. Jovens organizavam as vendas: eram os netos da avó que passava a viver com eles. O bonito rapagão americano perguntou de onde vínhamos, respondemos Brasil, ele emendou: ah, Portuguese, I was realizing how beautiful sounds when you speak".

Todavia, não somente latinos do México, Equador, Peru e brasileiros de tantas partes abundam na terra do consumo - segue inabalado. Há também uma profusão de muçulmanos, indianos, coreanos, chineses... Os EUA virou um mosaico absurdo de línguas e costumes, uma toda NY, ao menos nas margens leste e oeste. O meiäo deve continuar essencialmente branco, mas nas faixas litorâneas, rola a babel. Agora começo a compreender porque o discurso estúpido de Trump tem milhões de adeptos. Deve ser avassalador para um americano que nunca foi além das fronteiras de seu estado, ver o país invadido pelos bárbaros, desconsertando o mundinho de conto de fadas que eles criaram com tanto zelo e puritanismo. 

A pobreza aumentou. Hoje, vejo pessoas catando latinhas de bebida, abarrotando carrinhos de supermercados. Jamais imaginaria algo assim 15 anos atrás. Confesso que também tive um momento de preconceito. Sozinha no gramadão brincado com Frida, vi assomar-se dois latinos de um lado e outro pela retranca. Eles me olhavam insistentemente e me dei conta de que estava em completa desvantagem: lugar ermo perto de uma mata. Se quisessem, poderiam ter feito o que bem entendessem comigo. Me senti muito desconfortável, desprotegida, como se à mercê de uma metrópole brasileira. 

Os americanos não encaram as mulheres. Não as cobiçam com esses olhares incisivos de machismo latinoamericano. Em 2001 e 2002, não passei por constragimento semelhante. Imagina para uma americana autocentrada experimentar o assédio dessa forma brutal? Trump promete devolver aos americanos o país que tinham. Depois de um episódio deste, soa um tanto sedutor. Voltei para casa mais rápido, acuada e triste com a minha parcela de xenofobia.

O dia está despontando. Corvos dão sinal de sua sinistra onipresença. Edgar Allan Poe viveu nessas bandas, logo se vê. Porém, quando vejo NetFlix, parece que não saí do Brasil. Caio em mim quando olho pela janela e desvendo a paisagem estrangeira. Minha lista de filmes continua a mesma. Sigo batendo papo pelo zap e me relacionando com os amigos e amigos dos amigos pelo FB sem prejuízo causado pela distância. Agora é menos sofrido viver fora do que antes. A solidão se diluiu. Só o inverno deve continuar barrar como sempre foi, até para os nativos. 

Navego pelos cursos que tenho vontade de fazer no Westchest College: The Art of Ancient Civilizations;The Road to Modernity in Art & Architecture; Murder, Mayhem and Ghostly Presence in NYC; Hannah Arendt: Her Life and Work; History through Literature; The Music of Lennon and McCartney... Passatempos aprazíveis, pois girls just to want have fun, além de limpar a casa e lavar banheiros. 

6.43. Romulito acaba de pintar na sala. Por que acordou tão cedo, pirralho? Porque eu sonhei que a gente tinha voltado para o Brasil. Sonhos, esses sim, janelas da alma.

See you soon, hasta luego, até breve!


sexta-feira, 29 de julho de 2016

News and memories





Thanks God Today is Friday, dizem os americanos e eu concordo. A manhã chuvosa prometia temperatura mais amena - ufa - e, quem sabe, um refresco nas confusões dos últimos dias... Parei em Chappaqua (nome indígena), vilazinha onde mora a futura primeira mulher presidente dos EUA (assim esperamos). O lugar é um primor!Por aqui, estou no clima da convenção democrata. Assisti aos discursos de Obama, Clinton, da filha Chelsea e também de Hillary. Não por inteiro, pois eles começavam muito tarde na TV e trabalho de gata borralheira é pesado demais durante o dia!

Decidi entrar numa Rite Aid (fármacia). Toda aquela parte de maquiagem linda na minha frente e eu sem saber nada sobre ela... Help me, amiga Denize Caribé! Quais são as melhores compras pelos menores preços? 

Então tento pegar um batom da Cover Girl do mostruário e quase o stand todo veio abaixo. Xi, mas quanta jequice... Prenúncio de mais um dia difícil? Ainda bem que não. Segui caminhando pela ruazinha principal e vi uma loja chamada Opportunity Shop do outro lado. Humm, atravessei a street e saquei, pela vitrine, que se tratava de um brechó. Brechó em Chappaqua deve ter excelentes coisinhas. E tinha mesmo. A começar por três velhinhas mega simpáticas que tagarelavam e arrumavam tudo por ali. Encontrei uma dupla de anjos e resolvi levar. Prioridade zero, mas eu lovo anjos, o que fazer? A caixa e gerente (uma das velhinhas de filme) me confessou que também ama anjos:

- I have angels even in my bathroom!

Daí retomei o foco e encontrei ótimos pratos, canecas e tigelinhas em cerâmica, tudo o que estávamos precisando... A gerente disse que os apetrechos haviam chegado à loja na tarde de ontem e que eu estava fazendo uma compra muito boa!

- These two angels are silver made!!! 4 dollars? Where did you find them?

Volto pra casa, saio para caminhar com a Frida por calçadas ainda não exploradas. Vou subindo a ladeira, suando, mantendo Frida na cadência de acelerar o coração. De um lado, woods; do outro casas cada vez mais bonitas... Vislumbro um cenário de espera creep no meio do mato, uma dupla de cadeiras abandonadas que logo registro pra vocês.

Mal chego em casa novamente, Bernardo me liga pra que eu vá encontrá-lo na IBM. Nosso amigo Brian havia indicado um cara que poderia vender um carro usado confiável pra gente. Dito e feito. Aportamos na oficina mecânica dele e conhecemos o casal, desses improváveis que só vemos por essas bandas: uma violinista profissional (que entre um concerto e outro trabalha na oficina) e um engenheiro mecânico irlandês que já teve funcionários de Anápolis/GO, creiam!

Compramos o carro, que só vai estar conosco no fim da semana que vem. Um carro desses de família, uma perua Subaru. Agora, sim, estou me sentindo uma verdadeira housewife. Desperate? Ainda não!
Ah, no caminho do negócio, paramos na frente da idílica casa de Mrs. Marks, o primeiro lugar que nos recebeu nos EUA em 2001. Infelizmente, Marianne já faleceu e a bela residência foi vendida. Entretanto, a ruazinha arborizada e as boas lembranças continuam as mesmas.


A charmosa casa que foi de Mrs. Marks


Animal bond



Aventura de hoje começou com Romulito deixando Lady Frida, nem tão lady assim, rolar em cima de um côco alheio. Há muito ela não fazia isso, só que està estranhando a redondeza, assim como nós... Daí, ela ficou insuportavelmente fedida. Deixei o maridones na IBM, depois de descarregar os guris no Summer Day Camp, e fui atrás de um pet shop que desse banho... Não sei por qual esquisito motivo, duas grandes lojas que oferecem o serviço (que tem o nome de grooming) não estavam abertas para banhos e tosas today. Aí me falaram de mais uma,a PetCo, e eu fui até lá. 

A funcionária, simpática, disse que estava completamente lotado. Eu tive de implorar exercendo todo o meu poder de persuasão em English. Bem, ela deve ter ficado com pena de mim ou do meu inglês e topou. Falou para eu retornar com a Frida às 11 sharp e que ela teria de ficar no canil esperando uma brecha. Pediu que eu levasse toda a documentação da cachorrinha também. 

Resolvi voltar com a Frida caminhando, para que ela tivesse um passeio mais longo e cansativo, uma vez que vai ficar mofando no tal grooming até às 16h. Fomos lá, correndo desbragadamente para chegar às 11 em ponto. Chegamos. Mas aí a Jackie não consegui entender se a Frida era vacinada contra raiva ou não. Tudo lá, bonitinho, mas em português, né? E ela chama o boss e o boss também não entende nada, pergunta que datas são aquelas - porque aqui o mês vem antes do dia - e mostro para ele: raiva, quase igual em inglês: rabie. E aí ele se convence de que a Frida não só foi vacinada como revacinada. Ufa!
Voltei caminhando pelas ruas da neighborhood, acreditando, mais do que nunca, na frase que está na entrada da PetCo:






Welcome aboard!





Encontro bacana com os amigos de Floripa que estavam passando férias em NY


Muitos amigos talvez não saibam que essa é a segunda vez que estamos morando no estado de NY. Da primeira, não tínhamos filhos ainda, o que facilitava bastante a vida! :) O visto que Bernardo obteve da primeira vez foi o J1 (e o meu J2), chancela autorizada para pesquisadores; para intercâmbio de conhecimento. Por isso, costumava brincar que éramos os Jecas 1 e 2. Agora temos jequinhas que estão vendo os pais cometerem jequices... 

Vocês pensam que é piece of cake mudar de mentalidade, de cultura, de hemisfério, sem cometer nenhuma idiotice completa? Hoje, por exemplo, o carro alugado amanheceu com a bateria arriada. Logo hoje, que Tomás tinha o passeio mais aguardado do Summer Camp: um parque aquático. Lá fui eu ligar para um táxi e me fazer entender... Depois de minutos intermináveis, consegui deixar os dois no Summer Camp e Tomasito foi splash... 

O começo é assim: sempre truncado, confuso, cansativo. Fazemos as pataquadas mais nonsenses porque ainda não entendemos as regras do jogo. São muitos pedidos de "repeat, please", milhares de "excuse-me" and trilhões de "sorries"...

É uma lição diária de humildade transparecer imbecilidade aos olhos dos demais, believe me!



quinta-feira, 7 de julho de 2016

Crente que é Clarice (o texto)







“Escrevo pela incapacidade de entender sem ser através do processo de escrever”.
(Clarice Lispector)


"Calmo, específico, genérico". Eis o laudo psiquiátrico do preso que nos escreve. Aproprio-me do resultado. Nesse momento estou específica e genérica porque nada é mais paradoxal. Calma, não sei. Melancólica, certamente.

Especificamente o que faz a gente criar conexões reais com outras pessoas? A questão me intriga desde ontem à noite, quando recebi uma mensagem de antiga colega de trabalho. A convivência foi curta em contagem de tempo, mas deixou plantado o afeto que só me dei conta com a grata surpresa dela.

Estranho os caminhos da afeição... Nunca fiz o tipo popular, apesar de nunca ter me faltado amigos. Minha crença é que sempre assusto mais do que agrego. Tenho espinhos tão pontudos! Mecanismos de defesa nefastos. Cachorro que late e morde. Lanço palavras como balas dum-dum no coração de gente de bem. 

Mas eis que alguns bandeirantes me desbravam. Com delicadezas abrem picadas entre as minhas falhas de caráter para encontrar (?) a suave pupunha escondida. Numa análise psicológica barata, talvez não me permita merecer doçuras, levezas. Preciso sempre estar pronta para travar batalhas sangrentas com a vida.

Abandono afetivo na infância cria pessoas desconfiadas. Brigo o tempo todo com o escuro dentro de mim. O breu que me faz ser reticente em abraçar a alegria, a gentileza e a doação. As pessoas ao redor me interpretam distante, pedante, arrogante e brava. Brava é a sombra que me acompanha. A minha “zashiki warashi”, o espírito da criança do quarto, que exige atenção e cuidados sem descanso.

Daí fugi da carência profissional traduzida em choros abundantes e cobranças ferinas para desaguar no alheamento. As perdas excruciantes para a morte e para a incompreensão me levaram a milhas de distância dos sentimentos frágeis. Creio que meus filhos se ressentem da mãe esquisita; meu marido (que me conheceu na primeira versão) está confuso com essa mulher agora mais pedra do que vegetal.

Dei uma guinada que me preserva de dores mais fortes, mas me priva de uma entrega profunda. Perambulo cínica pela existência, mas é uma postura que não me representa. Prefiro ser específica do que genérica. A geração que está aí experimentando essa onda “agênero”, o que é que vai ganhar? Que coisa mais esquisita, mais sem noção de tensão, pulsão sexual... 

Preciso corrigir o rumo dessa rota. Não posso deixar a orfandade me definir. O luto me embotar. A vida me deu o presente da mudança. Posso fazer da experiência que virá um marco entre o antes e o depois. 

Peço perdão aos meus bandeirantes! Que não desistam de mim e sigam me conduzindo na busca do Eldorado.



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Incompletude





Sensação paralisante de estar esquecendo algo ou alguém importante. Como a tia mais amada que não está em nenhuma das fotos do álbum de casamento. Há coisas que não podem ser reparadas ou rebobinadas e o sentimento de irreversibilidade acua, amedronta. 

Partir para o desconhecido nos coloca nesse momento-limite da divisão entre o antes e o depois. Nada, nada mesmo será como outrora. E por isso o outrora parece tão aconchegante, ainda que não seja. E o futuro parece tão apavorante, ainda que tenha tudo para não ser. 

A dor no peito é quase real. As células do músculo cardíaco morrendo no sufoco da angústia. A decisão revolucionária de fechar a porta do lar e morar fora do país encontra paralelo com a gravidez (outro ato de extrema insanidade, sem chance de recuperação). 

Todo mundo tem uma palavra amiga para dizer nessas horas. Todo mundo diz “tudo vai dar certo”, “vai ser ótimo”, “incrível”, “muito bom para vocês”, “queria estar no seu lugar”. “sua vida vai mudar para melhor”; “posso ajudar em alguma coisa?” 

Pouco adianta a boa intenção dos chegados. O salto no vazio que todo desafio impõe é uma condição solitária. Só quem engravida sabe. Só quem se joga sente. Ninguém pode aliviar os temores internos que uma mudança drástica faz com a gente. É um processo individual de implosão de pilares a ser reerguidos em outras bases. Absolutamente nenhuma palavra de conforto ou incentivo abafa o zumbido no ouvido; o oco da batida interna repetindo será? Será? Será? Ou sua variante: e se... e se... e se... 

Todavia, dizem por aí que o “e se...” é o pai da literatura. A semente dos grandes romances. Então que nos apeguemos à possibilidade otimista de que se lançar ao desconhecido não passe de um monstro debaixo da cama: horrendo no escuro da noite; inexistente à luz da manhã. 

Que todos os tropeços típicos do iniciar um novo way of life se transformem nas hilariantes piadas a ser contadas na volta para casa. Que as carências sejam trabalhadas em poemas de monta. Que as solidões e saudades da boa mesa se revertam em quilos a menos muito bem-vindos. Que as lágrimas limpem o cristalino para os mais inspirados registros. 

Por fim, mas não menos importante: que o Divino faça o milagre da completude nos dias de precisão.



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Cinco vezes mais rica





A chateação de uma ida ao cartório teria de ser recompensada de algum modo. O sebo estava ali do lado, recordou. O que são uns minutinhos a mais numa segunda fria? Entrou e bateu os olhos em um livro infanto-juvenil de capa azul: Ei! Tem alguém aí?. Pareceu-lhe promissor. 

Seguiu a ziguezaguear pelas estantes atulhadas. Há alguma ordem por gêneros literários no Pindorama, mas a verdade é que há livros demais no mundo. E na hora que você quer lembrar de um título ou autor, quem disse? 

Mas é legal não ter ideia pré-concebida também. Se saltar na sua frente é porque tem de ser seu (essas coisas que só quem crê em conexões telúricas diria). Respeitando a premissa, quase agarrou “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, da Clarice. Deu vontade, mas reconsiderou. O que lhe falta ler é “Laços de Família”. E ele não estava se exibindo no momento. 

Daí viu “A Asa Esquerda do Anjo”, da Lya Luft. Sempre curtiu esse título bem bolado. Não resistiu e abraçou o exemplar junto ao peito. Começava a perder o foco principal: encontrar livros para os filhos lerem na longa jornada fora do país. Os disponíveis na biblioteca de casa já haviam sido devorados pelo mais velho. 

Foi até a mísera parte dedicada aos jovens, relegada à estante rés do chão, no canto mais escuro da loja que, velha e nunca reformada, não tem nenhum projeto de iluminação. Para uma míope é excruciante desvendar títulos entre centenas de lombadas gastas pelas traças do tempo. 

De cócoras, foi espalhando os achados... “O Feijão e o Sonho”, “Éramos Seis”, da amada série “Vagalume”, dormiam entre obras sem nenhuma expressão. Não, não queria livros tristes ou melancólicos. A vida em outro país já cobra sua parcela de dor e solidão. Importante era encontrar literatura de fantasia; de doçura e poesia. Que o exílio temporário fosse acalentado por sonhos coloridos e heróis inesquecíveis. 

“As aventuras de Tom Sawyer”, sim, esse vai! “As Batalhas do Castelo”, nunca tinha ouvido falar da história, mas apresentava selo na capa de ganhador de “O melhor livro juvenil de 1987” pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O tema, apreciado pelos dois filhos, além da chancela de uma galera respeitada, selou o resgate da obra da areia movediça do esquecimento. 

Porém, de repente, um exemplar bem velhinho, encapado para escola, se destacou: “O Menino do Dedo Verde”. Ora, ora, que emoção genuína tomou o coração da mãe. Um livro marcante da infância que lhe recorda a própria mãe, batizada pela filha caçula de “menina do dedo verde”, por ser uma multiplicadora de plantas nos jardins. 

Quanto é esse aqui, perguntou a caçadora de relíquias ao entediado atendente. Cinco reais. Tadinho! Gritou a mulher num misto de horror e sofrimento. A experiência de ler o “O Menino do Dedo Verde” vale cinco reais num sebo da W3 Sul. O vendedor nada entendeu daquele espanto e permaneceu encarando a compradora, aguardando a finalização de sua primeira venda do dia. 

Por um átimo, a mulher se perguntou o que um torpe fazia naquele templo de sabedorias. Todavia, não se abateu. Pagou e pegou as pepitas garimpadas, tomando o trajeto da rotina cinco livros mais rica.